Chicletes com xilitol - mais um aliado da saúde bucal
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Mascar chicletes adoçados com xilitol é
a mais nova estratégia para o combate à cárie. Ao contrário
do sorbitol e do manitol, adoçantes não cariogênicos e não
calóricos já utilizados nos chicletes em substituição
à sacarose, o xilitol possui uma ação direta sobre os agentes
da cárie, principalmente o mais perigoso deles, a bactéria Streptococcus
mutans. As bactérias precisam gastar uma grande quantidade de energia
para absorver o xilitol, e mesmo assim, não conseguem metabolizá-lo.
Assim, acabam intoxicadas.
No mercado europeu, o xilitol já é
utilizado há mais de 20 anos. No Brasil, apenas recentemente os
fabricantes de chicletes começaram a investir em produtos com o
novo adoçante, que apesar de mais caro, é tão doce
quanto o açúcar. Segundo o CD Urubatan Medeiros, presidente
da Associação Brasileira de Odontologia de Prevenção
de Saúde (Aboprev), a oferta de produtos adoçados com xilitol
deve crescer rapidamente. "A utilização do adoçante
já está aprovada em mais de 40 países em forma não
apenas de chicletes, mas também pastilhas, cremes dentais, colutórios
e adoçantes, alguns inclusive associados ao sorbitol", diz
ele.
Por conta das propriedades superiores do xilitol
em relação a outros adoçantes, muitos dentistas já
estão recomendando a seus pacientes que consumam chicletes com xilitol
por pelo menos cinco minutos após as refeições. No entanto,
alguns aspectos precisam ser considerados para que não se propague a
idéia de que o simples consumo de chicletes ou pastilhas com xilitol
seja uma garantia contra a cárie.
O professor Jaime Cury, da Faculdade de Odontologia
da Unicamp, adverte que o tempo de ação da substância é
curto. "Hipoteticamente, o xilitol modifica a qualidade da placa através
da redução do número de bactérias cariogênicas.
No entanto, sua ação é de 30 minutos em média. Assim,
seria necessário mascar de três a cinco chicletes adoçados
com xilitol por dia, para que algum resultado fosse alcançado",
afirma o professor.
A concentração da substância
é outro detalhe importante. Segundo a CD Sonia Harari, doutora em Prevenção
e coordenadora dos Cursos de Pós-graduação da Faculdade
de Odontologia da UFRJ, é preciso que o chiclete tenha no mínimo
25% de xilitol para que suas propriedades bactericidas sejam mantidas, já
que concentrações inferiores são insuficientes para proteção
contra a cárie.
Sonia adverte, entretanto, que o consumidor brasileiro
precisará se familiarizar com os chicletes adoçados com xilitol.
"Muita gente compra o chiclete e joga fora, pensando que o produto está
estragado. No entanto, a aparência pegajosa do produto se dá porque
o xilitol tem a propriedade de absorver umidade", explica Sônia.
O CD Sérgio Weyne, professor de Microbiologia
do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra
que a associação do xilitol com as gomas de mascar é de
fato muito interessante, já que os chicletes estimulam o fluxo salivar,
aumentando o potencial anticariogênico do xilitol. "Nestes produtos,
quanto maior a concentração do adoçante, melhor. Já
nos cremes dentais e líquidos para bochecho, uma concentração
de 10% é aceitável", diz o professor.
Algumas pesquisas
Na natureza, o xilitol é encontrado em alguns
alimentos como o alface, a cebola, a cenoura, a uva e o morango, mas também
é produzido em pequena quantidade pelo corpo humano. Industrialmente,
o xilitol é produzido a partir da casca de algumas árvores.
São muitas as pesquisas que comprovam a
eficácia do xilitol. Em julho deste ano, o Journal of the American
Dental Association publicou um trabalho coordenado pelo Dr. Gary Hildebrandt,
da Faculdade de Odontologia da Universidade de Minnesota, que reuniu 141 pessoas
com taxas elevadas de bactérias cariogênicas. Durante duas semanas,
elas utilizaram produtos com clorexidina para enxaguar a boca. Depois, o grupo
foi dividido em três. No primeiro, as pessoas mascaram chicletes com xilitol
por no mínimo cinco minutos após as refeições. No
segundo grupo, mascou-se um chiclete adoçado com outra substância
não calórica. O último grupo não utilizou nenhum
tipo de chiclete após as refeições.
Após três meses, os pesquisadores
verificaram que o primeiro grupo foi o único onde as bactérias
permaneceram suprimidas. Os números continuaram baixos quando comparados
com as taxas encontradas a partir do uso da clorexidina. O Dr. Hildebrandt disse
acreditar que o xilitol poderá beneficiar muito quem tem problemas em
controlar a cárie mesmo quando eliminam doces da dieta e utilizam produtos
com flúor. Entretanto, ele ressaltou que os bons resultados do xilitol
só são alcançados quando ele é utilizado como único
adoçante.
A capacidade do xilitol em impedir a transmissão
de bactérias cariogênicas de mãe para filho também
já foi comprovada, como lembra a prof. Sonia Harari: "Uma pesquisa
publicada este ano demonstrou que mães que utilizam goma de mascar com
xilitol três vezes por dia transmitem menos o Streptococcus mutans
para seus filhos do que as mães que fazem tratamento com clorexidina."
Na Universidade de São Paulo, uma pesquisa
foi desenvolvida recentemente, sob a orientação do prof. José
Roberto de Magalhães Bastos, de Bauru, sobre a capacidade do xilitol
em impedir a colonização bacteriana precoce em bebês. No
interior de chupetas anticariogênicas, foram introduzidos comprimidos
de xilitol. Através de pequenos orifícios no bulbo da chupeta,
a substância foi dissolvida pela saliva, espraiando-se nas bocas dos bebês.
A pesquisa foi realizada em Bauru, onde a água é fluoretada, e
em Votorantim, onde foi utilizado um complexo de flúor e xilitol, já
que a água da cidade não é fluoretada. Os resultados comprovaram
que o xilitol de fato impede a colonização precoce de bactérias,
especialmente o Streptococcus mutans, nos bebês.