Cientistas dizem que campo de treinamento pode colocar o cérebro em forma
Documento sem título
Marilyn
Elias
Como publicado no USA TODAY, June 8, 2004
,pg 6-D
Tradução:
Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro
Podem mudanças no estilo de vida, incluindo
dieta e exercícios, manter o cérebro
em forma e reduzir os problemas de memória
conforme as pessoas envelhecem?
Kimberly Mc Clain, 43 anos, não sentia que
estava perdendo alguns de “seus parafusos“
ao ser uma boa esposa, operosa mãe de 2 filhos
e também realizar trabalho voluntário.
Ela apenas não conseguia lembrar certas coisas
e isto era ruim “Eu andava para dentro de um
quarto e perguntava: Porque eu vim aqui novamente?”
Ou guardava alguma coisa e não era capaz de
lembrar de jeito nenhum onde a colocou.
Isto acontecia há alguns meses atrás.
McClain diz que sua memória agora está
afiada, graças a um programa de 2 semanas num
“Campo de treinamento para o cérebro”
criado pelo Dr. Gary Small, psiquiatra e diretor do
Centro de Envelhecimento da UCLA (Universidade da
Califórnia em Los Angeles).
O Programa de Small para melhorar a memória
combina 4 elementos: uma dieta especial,atividade
física diária,relaxamento do estresse
e exercícios de memória. Está
tudo explicado em seu novo livro, A Receita da Memória
(The Memory Prescription) co- escrito com Gigi Vorgan.
A dieta é alta em ácidos graxos Omega
3, que são encontrados em nozes e alguns peixes.
Ela também inclui dezenas de frutas e vegetais
e é razoavelmente baixa em gorduras, com 3
refeições e 3 lanches por dia. Um alongamento
rápido, andar e exercícios de relaxamento
são feitos várias vezes por dia. E a
“aeróbica da memória”, que
objetiva manter o cérebro ágil, toma
cerca de 15 minutos por dia, diz Small.
Mc Clain diz que o programa mudou seu cérebro
e Small diz que as 2 semanas de tais mudanças
no estilo de vida podem literalmente mudar cérebros.
Em um estudo piloto com 17 voluntários com
queixas suaves de memória, ele aleatoriamente
escolheu oito para as 2 semanas no “campo de
treinamento” e os outros continuaram vivendo
como vinham fazendo sempre.
Escaneamentos do cérebro antes e depois do
“campo de treinamento” mostraram que os
participantes do programa desenvolveram atividades
das células cerebrais mais eficientes na porção
frontal do cérebro que controla as tarefas
da memória diária ou a “memória
de trabalho”, diz Small .
Estes no programa do “campo de treinamento”
também relataram um menor esquecimento perante
os outros. Seus índices de memória objetiva
eram melhores também, mas tão significativamente;
Small teoriza que obter uma diferença estatística
numa amostragem tão pequena é mais difícil.
As diferenças nas mudanças dos escaneamentos
cerebrais são o resultado de uma chance que
é de um em 2000, diz ele.
O estudo precisa ser reproduzido com grupos maiores,
enfatiza Small, e os resultados não garantem
que os adultos usando este programa nunca desenvolverão
a doença de Alzheimer.
“Mas
é fascinante o quão rápido você
pode conseguir um impacto na função
cerebral e isto sugere que você possa ser capaz
de postergar sua futura perda de memória”
Outros cientistas estão otimistas,mas com cautela,
com o enfoque de Small. “Parece promissor“,
fala Robert Wilson, do Centro Médico Universitário
Rush, em Chicago.
Wilson é um pesquisador em um estudo de longa
duração com membros de ordens religiosas
onde descobriu que vidas mentalmente estimulantes
podem postergar problemas de memória. Dieta
gordurosas, vida sedentária, estresse e poucos
desafios mentais todos foram relacionados com alto
risco de demência, atesta Wilson.
Pretendendo fazer um estudo mais amplo, Small planeja
tentar um ou mais dos quatro elementos do programa
em estudos futuros para ver se uma parte é
mais importante para certos tipos de memória.
“Não
iria me surpreender se alguma parte seria melhor que
todo o conjunto”, diz o psicólogo da
universidade da Flórida Michael Marsiske. Seus
estudos de treinos da memória mostram que adultos
dos 60 aos 90 anos que não têm demência
podem aumentar significativamente suas memórias
após 5 semanas de aulas de treinamento da memória
por algumas vezes cada semana. O estudo de Small foi
com um grupo de adultos relativamente jovens que variavam
de 35 a 70 anos.
No estudo da UCLA, a pressão sanguínea
sistólica (o valor mais alto) dos participantes
do programa caiu cerca de sete pontos, afirma Small.
Existem novas evidências que usando medicações
para manter a pressão sanguínea em níveis
normais podem retardar o aparecimento da doença
de Alzheimer, diz Zaven Khachaturian, porta voz da
Associação Americana de Alzheimer.
Ele diz não acreditar que um programa como
o de Small possa prevenir o Alzheimer, “mas
pode retardá-la e, apenas atrasando os sintomas
por 5 anos, cortaríamos o número de
afetados pela metade” porque os adultos idosos
iriam morrer de outras doenças antes de desenvolver
a demência.
“Idealmente,
você gostaria de ficar demente uma hora antes
de morrer, ou se você é menos exigente,
um dia ou um ano antes” fala Khachaturian”.
Mas se um grupo todo dos “baby boomers”
(que nasceram após a 2a Guerra Mundial) que
tiverem Alzheimer aos 70 anos e aí viverem
por um longo tempo, isto seria desastroso. Então,
um atraso por 5 anos seria muito importante “
Trabalhos com maior número de pessoas, padronizados
e clínicos são necessários para
testar o valor que mudanças no estilo de vida
como estas do programa da UCLA, ele afirma.
Para Mc Clain, pelo tempo que passou, sua própria
experiência é um teste suficiente. “Este
problema de memória estava me incomodando e
agora não mais. Eu me sinto muito mais consciente”
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