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1 de agosto de 2010

Medcenter:: Notícia

 

Cientistas dizem que campo de treinamento pode colocar o cérebro em forma


Documento sem título
Marilyn Elias
Como publicado no USA TODAY, June 8, 2004 ,pg 6-D

Tradução: Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro

Podem mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, manter o cérebro em forma e reduzir os problemas de memória conforme as pessoas envelhecem?

Kimberly Mc Clain, 43 anos, não sentia que estava perdendo alguns de “seus parafusos“ ao ser uma boa esposa, operosa mãe de 2 filhos e também realizar trabalho voluntário.

Ela apenas não conseguia lembrar certas coisas e isto era ruim “Eu andava para dentro de um quarto e perguntava: Porque eu vim aqui novamente?” Ou guardava alguma coisa e não era capaz de lembrar de jeito nenhum onde a colocou.

Isto acontecia há alguns meses atrás. McClain diz que sua memória agora está afiada, graças a um programa de 2 semanas num “Campo de treinamento para o cérebro” criado pelo Dr. Gary Small, psiquiatra e diretor do Centro de Envelhecimento da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles).

O Programa de Small para melhorar a memória combina 4 elementos: uma dieta especial,atividade física diária,relaxamento do estresse e exercícios de memória. Está tudo explicado em seu novo livro, A Receita da Memória (The Memory Prescription) co- escrito com Gigi Vorgan.

A dieta é alta em ácidos graxos Omega 3, que são encontrados em nozes e alguns peixes. Ela também inclui dezenas de frutas e vegetais e é razoavelmente baixa em gorduras, com 3 refeições e 3 lanches por dia. Um alongamento rápido, andar e exercícios de relaxamento são feitos várias vezes por dia. E a “aeróbica da memória”, que objetiva manter o cérebro ágil, toma cerca de 15 minutos por dia, diz Small.

Mc Clain diz que o programa mudou seu cérebro e Small diz que as 2 semanas de tais mudanças no estilo de vida podem literalmente mudar cérebros. Em um estudo piloto com 17 voluntários com queixas suaves de memória, ele aleatoriamente escolheu oito para as 2 semanas no “campo de treinamento” e os outros continuaram vivendo como vinham fazendo sempre.

Escaneamentos do cérebro antes e depois do “campo de treinamento” mostraram que os participantes do programa desenvolveram atividades das células cerebrais mais eficientes na porção frontal do cérebro que controla as tarefas da memória diária ou a “memória de trabalho”, diz Small .

Estes no programa do “campo de treinamento” também relataram um menor esquecimento perante os outros. Seus índices de memória objetiva eram melhores também, mas tão significativamente; Small teoriza que obter uma diferença estatística numa amostragem tão pequena é mais difícil. As diferenças nas mudanças dos escaneamentos cerebrais são o resultado de uma chance que é de um em 2000, diz ele.

O estudo precisa ser reproduzido com grupos maiores, enfatiza Small, e os resultados não garantem que os adultos usando este programa nunca desenvolverão a doença de Alzheimer.

“Mas é fascinante o quão rápido você pode conseguir um impacto na função cerebral e isto sugere que você possa ser capaz de postergar sua futura perda de memória”

Outros cientistas estão otimistas,mas com cautela, com o enfoque de Small. “Parece promissor“, fala Robert Wilson, do Centro Médico Universitário Rush, em Chicago.

Wilson é um pesquisador em um estudo de longa duração com membros de ordens religiosas onde descobriu que vidas mentalmente estimulantes podem postergar problemas de memória. Dieta gordurosas, vida sedentária, estresse e poucos desafios mentais todos foram relacionados com alto risco de demência, atesta Wilson.

Pretendendo fazer um estudo mais amplo, Small planeja tentar um ou mais dos quatro elementos do programa em estudos futuros para ver se uma parte é mais importante para certos tipos de memória.

“Não iria me surpreender se alguma parte seria melhor que todo o conjunto”, diz o psicólogo da universidade da Flórida Michael Marsiske. Seus estudos de treinos da memória mostram que adultos dos 60 aos 90 anos que não têm demência podem aumentar significativamente suas memórias após 5 semanas de aulas de treinamento da memória por algumas vezes cada semana. O estudo de Small foi com um grupo de adultos relativamente jovens que variavam de 35 a 70 anos.

No estudo da UCLA, a pressão sanguínea sistólica (o valor mais alto) dos participantes do programa caiu cerca de sete pontos, afirma Small. Existem novas evidências que usando medicações para manter a pressão sanguínea em níveis normais podem retardar o aparecimento da doença de Alzheimer, diz Zaven Khachaturian, porta voz da Associação Americana de Alzheimer.

Ele diz não acreditar que um programa como o de Small possa prevenir o Alzheimer, “mas pode retardá-la e, apenas atrasando os sintomas por 5 anos, cortaríamos o número de afetados pela metade” porque os adultos idosos iriam morrer de outras doenças antes de desenvolver a demência.

“Idealmente, você gostaria de ficar demente uma hora antes de morrer, ou se você é menos exigente, um dia ou um ano antes” fala Khachaturian”. Mas se um grupo todo dos “baby boomers” (que nasceram após a 2a Guerra Mundial) que tiverem Alzheimer aos 70 anos e aí viverem por um longo tempo, isto seria desastroso. Então, um atraso por 5 anos seria muito importante “

Trabalhos com maior número de pessoas, padronizados e clínicos são necessários para testar o valor que mudanças no estilo de vida como estas do programa da UCLA, ele afirma.

Para Mc Clain, pelo tempo que passou, sua própria experiência é um teste suficiente. “Este problema de memória estava me incomodando e agora não mais. Eu me sinto muito mais consciente”





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