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9 de fevereiro de 2010

Medcenter:: Notícia

 

Odontologia e Medicina: ainda mais próximas

Por Lúcia Seixas,
jornalista do Medcenter.com

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Embora sejam hoje atividades distintas, a Odontologia e a Medicina encontraram-se e apoiaram-se várias vezes ao longo de suas histórias.

Nos últimos anos, várias pesquisas científicas novamente comprovam a importância da colaboração entre médicos e dentistas.

O exemplo clássico é a gastrite, como lembra a dra. Sonia Harari, professora do Departamento de Odontologia Preventiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro: "Já há alguns anos foi comprovado que, se não houver um bom controle da higiene oral, a doença pode reincidir".

Com o avanço das pesquisas, sabe-se agora que as mais de 300 espécies que habitam a flora bucal podem ter uma grande influência para a saúde do organismo. Com isso, a doença periodontal vem sendo relacionada com diversos distúrbios, além da gastrite. O nascimento de bebês de baixo peso é um deles.

Durante cinco anos, o pesquisador norte-americano Steve Offembacker e seu grupo estudaram os fatores de risco para esse problema e acabaram constatando que as gestantes com doença periodontal tinham bebês de baixo peso numa proporção 7,5 vezes maior do que as gestantes que usavam drogas. A conclusão foi que o mecanismo inflamatório produzido pelas toxinas liberadas pela flora subgengival provocaria a contração placentária, afetando os bebês.

Como esses nascimentos representam um custo alto (manutenção neonatal, permanência no hospital, medicamentos, etc), o governo norte-americano decidiu investir nessa linha de pesquisa. "Percebeu-se, dessa forma, a amplitude das questões relacionadas com as doenças periodontais, que foram relacionadas a problemas socioeconômicos e também aos fatores psicológicos", diz a dra. Sonia.

A relação de doenças periodontais com doenças sistêmicas também está sendo estudada atualmente. Um dos trabalhos mais importantes nessa área é o que trata dos fenômenos cardiovasculares, afirmando que as bactérias específicas da doença periodontal ajudariam na formação dos ateromas. Alguns trabalhos mostram que as pessoas infartam mais pela manhã, que é justamente o período do dia quando se faz mais a escovação dos dentes.

Para quem tem doença cardíaca severa, a bacteremia, ou seja, a ida de um grupo de bactérias para a corrente sanguínea fisiológica, provocada pela escovação dental - e inofensiva em indivíduos saudáveis - ajudaria no fechamento final do ateroma. "Novamente, é claro que há outros fatores relacionados, como estresse, vida sedentária e também o uso do cigarro, um fator que provoca ainda a dissimulação da doença periodontal, por provocar a vasoconstricção periférica", lembra a dra. Sonia.

Assim como as doenças periodontais provocam o agravamento das doenças sistêmicas, pode acontecer o contrário, como se supõe ser o caso da diabetes. Trata-se de um círculo vicioso: o diabético tem um hálito mais pesado, mais ácido, e problemas de cicatrização. Se há um grupo bacteriano presente, ele tem menor defesa.

Se esse grupo é mais agressivo, a capacidade de defesa do diabético é menor e a inflamação agrava mais ainda o problema da diabetes, aumentando a inflamação gengival em um ciclo repetitivo. Por isso acredita-se que a doença periodontal pode agravar e descompensar a diabetes. O que os pesquisadores querem saber é se o tratamento da doença periodontal é capaz de controlar a diabetes, ou se é com o controle da diabetes que se trata a doença periodontal.

Outro distúrbio que vem sendo relacionado com a saúde oral é a halitose. As microvilosidades da língua que poderiam abrigar bactérias anaeróbicas, que são as específicas da doença periodontal. Por isso preconiza-se hoje cuidados com a higiene da língua para combater a halitose. No tratamento da doença periodontal, quando não se faz a higiene da língua, a doença pode recidivar porque as bactérias estão abrigadas em seu dorso.

"Por tudo que se vem descobrindo, percebe-se que a questão da doença periodontal é complexa. O mecanismo da doença vem sendo muito estudado e com certeza, no futuro, novas relações surgirão entre a saúde oral e a saúde do organismo", diz a dra. Sonia.



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