Prótese parcial fixa sobre implante, cimentada ou parafusada? Auxiliar
Colaborador
Documento sem título
Barbosa,
Gustavo Frainer *.
Fedumenti, Ricardo Albe **.
Resumo
O presente trabalho tem por objetivo esclarecer
quais as vantagens e desvantagens apresentadas na
utilização de cimentos e parafusos
para fixação de Próteses Parciais
Fixas sobre Implantes, bem como esclarecer o por
quê de cada uma delas.
Unitermos:
Prótese parcial fixa. Implante dentário.
Cimentação.
Sumary
This paper aims at clarifying the advantages and disadvantages
seen when cements and screws are used to fix Implant
Supported Partial Fixed Prosthesis as well as clarifying
the reasons for using each one of them.
Uniterms:
Denture partial fixed. Dental implantation. Cementation.
Introdução
Os Implantes Dentários estão se tornando,
cada vez mais, a primeira opção para
a reposição de dentes por parte do profissional,
bem como por parte do paciente. As vantagens apresentadas
pelo tratamento de reposição dentária
através de próteses confeccionadas sobre
implante são inúmeras; porém,
merecem especial destaque três destas indicações:
a preservação biológica dos dentes
adjacentes ao espaço protético, a preservação
da estrutura óssea remanescente do rebordo
alveolar e, é claro, a estética. Devido
a esses fatores, como também pela maior veiculação
de informações acerca dos implantes
dentários, estes passaram a ser uma alternativa
de tratamento bem aceita e procurada, deixando de
ser, para muitos, uma novidade e tornando-se uma realidade.
Todavia, o tratamento com implantes gera alguns questionamentos.
Muitos profissionais encontram algumas dúvidas
em relação à melhor forma de
como proceder com o tratamento protético sobre
o implante. Muitas dessas indagações
referem-se às vantagens e desvantagens da cimentação
ou da fixação através de parafuso
da coroa protética sobre o pilar do implante.
Para Bezerra e Rocha¹ (1999, p. 7), “mais
do que uma preferência individual, o reabilitador
deve ter em mente as vantagens e desvantagens de cada
uma dessas opções protéticas
na hora de eleger os componentes adequados para solucionar
seus casos clínicos”.
Neste sentido, o presente trabalho buscará
apresentar soluções para esses questionamentos,
tentando mostrar o porquê das vantagens e/ou
desvantagens apresentadas por cada uma das técnicas
de fixação da coroa protética
ao pilar do implante, possíveis de serem empregadas.
Revisão de Literatura
Segundo Jiménez5, podemos parafusar ou cimentar
a coroa sobre o pilar do implante.
Para Spiekermann¹² (2000, p. 265), “as
próteses implanto-suportadas, podem ser definitivamente
cimentadas em posição ou afixadas via
parafusos [...]”.
Misch6 (2000, p. 554) ressalta que “a discussão
parafuso versus cimento aplica-se à coroa ou
supra-estrutura e não, ao ‘abutment’”.
Isto porque o pilar deve ser parafusado ao corpo do
implante devido à área de superfície
reduzida apresentada pelo diâmetro e comprimento
reduzido dos pinos do pilar e, também, para
eliminar o risco de presença de cimento no
nível da margem do pilar e do implante.
Ao contrário do que muitos acreditam, Misch6
(2000, p. 549) ressalta que “o sistema de retenção
da prótese deve ser projetado antes da cirurgia”,
pois devemos levar em consideração os
princípios biomecânicos e cuidar para
não interferir na estética. É
o caso, por exemplo, de implantes anteriores, que
necessitam de uma posição mais lingual
de inserção, quando, no planejamento
protético pré-cirúrgico, se decide
pela confecção de uma coroa parafusada,
porque o orifício de acesso para o parafuso
é inserido no cíngulo da coroa. Implantes
anteriores colocados em um plano excessivamente vestibularizado
tornam a obtenção de uma estética
favorável provavelmente comprometida.
Palacci7 ressalta que a questão é quando
devemos usar supraconstruções fixadas
por cimento ou parafuso. A necessidade do paciente
e o plano de tratamento devem determinar quando a
retenção da restauração
por parafuso ou cimento é a melhor escolha.
Conforme Sahin e Cehreli¹º, as próteses
fixas apoiadas sobre implantes são essencialmente
parafusadas ou cimentadas, requerendo uma profunda
avaliação de várias premissas
e parâmetros para o uso de qualquer uma delas.
Para Misch6, o procedimento de fixação
ideal da coroa ao pilar do implante seria aquele que
possibilitasse a obtenção de um assentamento
mais passivo com uma otimização da direção
das cargas, um aperfeiçoamento da estética,
um acesso melhorado com facilidade de provas, uma
perda reduzida da crista óssea, e complicações,
custo e tempo reduzidos.
Na não-existência de uma técnica
perfeita para a fixação da coroa protética
ao pilar do implante, devemos optar por aquela que
mais se aproxime do ideal, observando as vantagens
e desvantagens apresentadas por cada uma e avaliando
as indicações de cada sistema.
Vantagens e desvantagens
Assentamento Passivo: Para Pastor et al. 8 (1999,
p. 41), “As próteses retidas por cimento
favorecem o assentamento passivo, pois utilizam apenas
um parafuso de fixação, ao contrário
das próteses parafusadas, que necessitam de
um parafuso do pilar sobre o implante e, outro, de
retenção da coroa sobre o pilar”.
Segundo Misch6, a causa principal de fracasso das
restaurações são os modelos não
passivos, que podem causar a perda óssea da
crista, a perda do implante, como também a
fratura de parafusos e fixações e/ou
seu afrouxamento. Para o mesmo autor, a obtenção
de um modelo passivo foge do controle do Cirurgião-Dentista,
pois existem variáveis, tais como: a contração
do material de moldagem final; a expansão do
gesso; os padrões de cera que, durante o endurecimento,
distorcem ou, quando incluídos, sofrem a ação
do material de revestimento, que expande; e também
as fundições metálicas, que contraem.
Portanto, uma restauração retida por
parafuso, realmente passiva, é praticamente
impossível, pois não há nenhum
espaço entre o pilar e a coroa e, sim, um sistema
de metal com metal, criando uma tolerância zero
para erros. Ao passo que, nas próteses cimentadas,
por apresentarem espaçadores para troqueis,
cria-se um espaço de 40 micrômetros para
o cimento, o que compensa uma parte da alteração
dimensional dos materiais de laboratório, possibilitando
uma restauração mais passiva.
Conforme Spiekermann¹² (2000, p. 234), “a
sólida ancoragem óssea dos implantes
requer uma confecção extremamente precisa
da estrutura protética. O objetivo final é
obter uma adaptação perfeita e sem tensão”.
Quando as estruturas não se adaptam corretamente
no início, complicações posteriores
geralmente são associadas; tais como: soltura
ou quebra dos parafusos da prótese, inflamação
dos tecidos moles e reabsorção do osso
perimplantar.
Para Palacci7, a técnica de cimentação
tem a vantagem de compensar parcialmente alguma eventual
desadaptação da estrutura.
Sahin e Cehreli¹º destacam que um pré-requisito
“tido” como dos mais importantes para
a manutenção osso-implante é
o assentamento passivo, sendo que para a manutenção
do assentamento passivo, ou da estrutura metálica
da prótese livre de tensões, esta estrutura
deveria, teoricamente, induzir uma tensão igual
a zero sobre os componentes protéticos e o
osso que circunda os implantes. Entretanto, durante
a confecção da estrutura metálica,
mesmo com o uso de espaçadores de plástico
para compensar as alterações dimensionais,
um assentamento passivo não foi conseguido.
Direção das Cargas: Segundo Misch6 podemos
reduzir as cargas sobre o osso da crista, quando utilizamos
uma coroa cimentada sobre o pilar do implante, pois
tanto a coroa como o corpo do implante poderão
receber carga axial. Enquanto que, em uma prótese
retida por parafuso, a carga oclusal deve ser aplicada
sobre o parafuso oclusal.
Para Spiekermann¹², as forças oclusais
devem ser dirigidas nos implantes ao longo de seu
eixo central. Alcançando-se este objetivo através
de uma parada cêntrica, que deve estar localizada
na fossa central da coroa que é afixada ao
implante, ou o implante deve estar localizado diretamente
abaixo da cúspide; além disso, o posicionamento
do implante deve representar uma extensão do
vetor de força de seu antagonista; e, em comparação
com o dente natural, devemos ter uma largura da superfície
oclusal menor, ficando os contatos oclusais localizados
dentro do perfil do implante subjacente, por motivos
biomecânicos. Salienta, ainda, que o efeito
das cargas sobre o corpo do implante em uma prótese
parafusada é diminuído, pois o parafuso
de ouro apresenta um ponto de fragilidade intencional,
protegendo a interface osso-implante de sobrecarga.
Bezerra e Rocha¹ salientam que, devido à
pouca elasticidade dos componentes sobre implantes,
seja parafusado ou cimentado, o planejamento necessita
cuidado para evitar sobrecarga nos componentes deste
sistema.
Palacci7, recomenda que soluções através
de cimento sejam usadas primeiramente em situações
com fatores de carga limitados, se uma sobrecarga
puder ocorrer, o sistema recuperável (parafusado)
é o que lida com o problema mais facilmente.
Estética: Para Hebel e Gajjar4, as próteses
cimentadas proporcionam uma estética superior.
Conforme Misch6, a coroa cimentada simplifica a criação
da forma e de uma superfície mastigatória
funcional e estética. Porém, na coroa
parafusada, devido à necessidade de orifícios
para a colocação dos parafusos, esta
criação fica impossibilitada.
Melhor Acesso: A coroa cimentada tem a vantagem de
não necessitar de pequenos parafusos e pequenas
chaves de fenda que podem dificultar o acesso, principalmente
na região posterior. Mas segundo Spiekermann¹²,
ela pode ser utilizada, apenas, quando as condições
intrabucais forem favoráveis, tais como a trajetória
de inserção.
Perda da Crista Óssea do Rebordo Alveolar:
Segundo Misch6, uma coroa cimentada veda a conexão
coroa/abutment e impede a penetração
de bactérias nesta interface, o que poderia
causar a perda do rebordo alveolar circundante ao
implante, comprometendo a sua fixação.
Em contrapartida, a prótese parafusada apresenta
ausência de cimento no sulco gengival que, quando
em excesso, pode causar irritação nos
tecidos circunjacentes e levar ao aumento de retenção
de placa bacteriana, causando uma inflamação
tecidual.
Adaptação Cervical: Conforme Bezerra
e Rocha¹ (1999, p. 7), “a utilização
de componentes protéticos pré-fabricados,
como copings de transferência, análogos
e cilindros de ouro, contribuem para um melhor assentamento
cervical”, na prótese parafusada. A prótese
cimentada, de um modo geral, tem sua adaptação
cervical feita em laboratório, o que dificulta
a criação de um assentamento cervical
ideal.
Tempo: Para Bezerra e Rocha¹, por ser a prótese
cimentada realizada sobre pilares personalizáveis,
seguindo os mesmos princípios de preparos de
dentes naturais, assim como os mesmos procedimentos
de moldagem e confecção de modelo e
assentamento protético, esta se tornam mais
simples e rápida de ser confeccionada, pois
segue o mesmo protocolo dominado pelos reabilitadores
há anos.
Segundo Hebel e Gajjar4, a prótese retida por
cimento reduz o tempo clínico do profissional.
Conforme Misch6, as próteses cimentadas são,
tecnicamente, mais simples de serem construídas,
exigindo menos consultas protéticas e/ou menos
demoradas. Quando de sua remoção, são
mais fáceis de serem limpas, não tomando
muito tempo do Cirurgião-Dentista. As próteses
parafusadas, por outro lado, são tecnicamente
mais complicadas, pois necessitam de componentes de
laboratório adicionais, como transferentes
de moldagem, análogos, copings e parafusos,
exigindo maior tempo de tratamento. E quando de sua
remoção, tomam também mais tempo
do profissional, devido à necessidade de se
remover a restauração em resina, a camada
de guta e o parafuso de fixação, tornando-se,
ainda, mais complicadas.
Complicações: Para Palacci7, um problema
potencial com a cimentação definitiva
das próteses nos implantes é a perda
da recuperação da restauração.
Segundo MISCH6, na prótese cimentada, como
o pilar de titânio é polido e não
apresenta retenções, os cimentos não
se aderem com tanta tenacidade. Como resultado, um
cimento mais duro do que o usado nos dentes pode ser
usado e, ainda, removido prontamente. Porém,
quanto mais duro o cimento, maior é a probabilidade
de que possa arranhar o pilar durante a remoção
do excesso. O cimento de zinco é o mais fácil
de ser removido do titânio e de sua liga, enquanto
que os cimentos de ionômero de vidro e os cimentos
de resina são mais difíceis.
Hebel e Gajjar4 propõem a utilização
de cimentos temporários associados à
vaselina, havendo, assim, a possibilidade de remoção.
Schlikmann¹¹ relata que, em casos onde não
há uma retenção esperada, utiliza-se
a técnica da cimentação progressiva,
na qual vão-se utilizando cimentos cada vez
mais fortes até que se alcance a retenção
desejada.
Em adição a isso, Misch6 destaca que
a restauração provisória pode
ser usada como guia para encontrar um cimento destacável
que, porém, não se solte durante a função.
Para Misch6, nas próteses parafusadas pode
ocorrer falha (afrouxamento ou quebra) dos componentes
do parafuso por fadiga (sobrecarga biomecânica),
devido ao diâmetro estreito do parafuso da prótese
que reduz a sua resistência em longo prazo.
Embora um parafuso protético frouxo possa proteger
o implante sob a coroa frouxa em casos unitários,
em casos em que a prótese é suportada
por mais de um implante, devemos nos lembrar que um
parafuso frouxo sobrecarrega todos os outros abutments
e corpos dos implantes que a suportam. Isto, geralmente,
causa perda óssea e/ou fratura do implante.
Mas, conforme Spiekermann¹² (2000, p. 202),
“as principais causas para o afrouxamento e
quebra dos mesmos incluem adaptação
imprecisa da estrutura metálica, sobrecarga
nas extensões distais e oclusão inadequada.”
Além disso, as próteses parafusadas
possuem a possibilidade de sofrerem reparos e modificação
da estrutura e são fáceis de serem substituídas.
Ainda, segundo Misch6 a prótese parafusada
possibilita uma retenção mais discreta,
pois não necessita de um componente vertical
de, pelo menos, 5mm para fornecer retenção
e resistência, como é o caso das próteses
cimentadas.
Discussão
Analisando-se, com um olhar mais crítico, certas
afirmações apresentadas por alguns autores/pesquisadores,
notamos uma tendência dos mesmos em defender
o método de fixação da prótese
sobre o implante com o qual estão mais familiarizados
e, conseqüentemente, o qual acreditam ser o melhor.
Porém, algumas dessas afirmações
acabam se desviando da ótica científica,
tornando-se não verdadeiras ou tendenciosas.
Misch6 afirma que uma restauração retida
por parafuso realmente passiva é impossível,
pois não há nenhum espaço entre
o pilar e a coroa, criando tolerância zero para
erros. Entretanto, em Differentiating...² (Jornal
Nobelpharma, atualmente NOBEL BIOCARE), está
descrito que a interface pilar/cilindro de ouro foi
projetada com um grau de jogo no encaixe; se os dois
componentes forem assentados niveladamente, há
espaço para algum desvio lateral na estrutura
protética do encaixe. Rangert9 afirma que,
de acordo com o fabricante (NOBELPHARMA), o parafuso
de ouro deve ser apertado/ajustado a aproximadamente
10 Ncm. E que testes de laboratório demonstraram
que isso corresponde a uma força de tensão
do parafuso (pré-carga) de aproximadamente
250 a 300 N. Com essa pré-carga, a pressão
do parafuso combinada a partir da tensão fica
logo abaixo da resistência do material. Quando
esse nível (250 a 300 N) é alcançado
devido à carga externa sobre o cilindro de
ouro, a junta do parafuso começará a
abrir. Isto significa que, com uma alavanca de mais
ou menos 2mm, o momento necessário para abrir
a junta do parafuso fica entre 50 e 60 Ncm (Figura
1). Qualquer instante de flexão abaixo deste
ponto será neutralizado pela mudança
na distribuição da pressão no
interior da junta e influenciará a tensão
do parafuso somente a um grau menos importante. Cargas
abaixo de 50 Ncm terão, portanto, uma influência
insignificante sobre o parafuso e nem problemas de
fadiga nem de afrouxamento do parafuso precisam ser
antecipados a este nível de carga (figura 2).
Além disto, Sahin e Cehreli10 (2001, p.18)
questionam “se o assentamento passivo absoluto
é realmente essencial e se é um fator
determinante para o sucesso absoluto dos implantes”,
pois “não existe nenhum estudo clínico
longitudinal que relacione falha de implantes especificamente
atribuída a desajuste da estrutura da prótese.”
Em relação a outros fatores tidos como
grandes desvantagens da prótese parafusada
em comparação com a prótese cimentada,
tais como quebra ou afrouxamento do parafuso de fixação,
Spiekermann¹² (2000, p. 202) relatou, como
já foi visto, que “a principal causa
para o afrouxamento e quebra dos mesmos inclui adaptação
imprecisa da estrutura metálica, sobrecarga
nas extensões distais e oclusão inadequada.”
O que pode nos levar a crer que isso ocorre, principalmente,
por falha no plano de tratamento. Concordamos com
Misch6 quando este afirma que a coroa cimentada “simplifica”
a criação de uma superfície mastigatória
funcional e estética. Todavia, discordamos
do mesmo autor, quando ele conclui que, na prótese
parafusada, esta criação fica “impossibilitada”
devido à necessidade de orifícios para
a colocação dos parafusos. Isto porque,
certamente, uma restauração em resina,
confeccionada criteriosamente, nos trará resultados
muito satisfatórios, possibilitando um mimetismo
entre as restaurações de porcelana e
resina.
Ao contrário do que afirmam autores como Misch6;
Hebel e Gajjar4 e Sclikmann11, entre outros, não
nos parece que o uso de cimento para a fixação
da prótese sobre o implante seja um facilitador
tão expressivo, em relação ao
tempo de trabalho, que possa servir como uma grande
vantagem desta técnica sobre a técnica
de fixação através de parafuso.
Pois, ao se utilizar a técnica de cimentação
progressiva, preconizada por eles, para descobrirmos
a consistência ideal do cimento a ser utilizada,
estaremos aumentando nosso tempo clínico, mesmo
que façamos isto durante a fase da prótese
provisória, como aconselha Misch6. Necessitaremos
de mais visitas do paciente ao consultório,
não só para descobrir a consistência
ideal do cimento, como também para recimentar
trabalhos que se soltaram. Além do mais, não
nos parece que a limpeza de uma prótese, que
foi cimentada, seja um trabalho que tome pouco tempo
do profissional, como afirma Misch6. Assim sendo,
o tempo clínico dispensado para se confeccionar
e/ou remover uma prótese que será cimentada
sobre o pilar do implante será idêntico
ou maior do que o dispensado a uma prótese
que será fixada por parafuso.
Ao considerar mais fácil remover o cimento
retido em uma prótese cimentada em comparação
com o ato de remover a restauração de
resina, a camada de guta e o pino de uma prótese
parafusada, Misch6 deixa transparecer sua preferência
pelo uso de próteses cimentadas.
Figura
1: Momento necessário para abrir
a junta do parafuso. |
Figura
2: Influência insignificante
de cargas abaixo de 50 Ncm. |
Conclusão
Tabela 1 - Conclusão Comparativa
CIMENTADAS |
PARAFUSADAS |
| ASSENTAMENTO
PASSIVO |
Mais
fácil de ser obtido se fizermos um alívio
interno, mas assim, diminuímos a retenção
da prótese. |
É
mais criterioso. |
| DIREÇÃO
DAS CARGAS |
O
tipo de fixação prótese-pilar
não interfere na direção
das cargas. |
| ESTÉTICA |
Sem
problema estético. |
Mais
criteriosa. |
| MELHOR
ACESSO |
- |
Só
há dificuldade em casos com parafusos
inclinados para distal em posteriores. |
| PERDA
DA CRISTA ÓSSEA |
Está
mais relacionada à conexão fixação-pilar
e não à conexão pilar-prótese.
Isto porque, o excesso de cimento na conexão
pilar-prótese está mais relacionada
com a inflamação gengival. |
| ADAPTAÇÃO
CERVICAL |
Feita
em laboratório de um modo geral. |
Adaptação
pré-fabricada. |
| TEMPO |
A
técnica é mais parecida com a
tradicional. |
Técnica
um pouco diferente, mas não mais demorada.
|
| COMPLICAÇÕES |
Imprevisível
quanto à dificuldade de remoção
e freqüência de soltura involuntária.
Ou é cimentada definitivamente, ou é
cimentada provisoriamente, podendo soltar. |
Facilidade
de remoção em qualquer tempo. |
Parece-nos
claro que ambas as técnicas possuem seus prós
e contras, ficando a decisão final sobre que
tipo de fixação se utilizar em Próteses
Parciais Fixas Implanto-Suportadas diretamente relacionada
ao conhecimento que o profissional possui sobre cada
uma delas. É muito importante, portanto, que
esta decisão seja tomada com base em um plano
de tratamento criterioso, que englobe experiência
e capacidade do profissional, bem como as necessidades
físicas e psicológicas do paciente.
Referências
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Vicente B. da. Próteses parafusadas x próteses
cimentadas: uso de incrustação em cerâmica
para obturação do canal de acesso do
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3 DINATO, José Cícero; POLIDO, Waldemar
Daudt. Implantes osseointegrados: cirurgia e prótese.
São Paulo: Quintessence, 2001.
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implantosuportadas retidas por parafusos vs cimentadas:
obtenção de oclusão ótima
e estética em implantodontia. J. Clín.
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5 JIMÉNEZ LÓPEZ, Vicente. Reabilitação
bucal em prótese sobre implantes. São
Paulo: Quintessence, 2000.
6 MISCH, Carl E. Implantes dentários contemporâneos.
São Paulo: Santos, 2000.
7 PALACCI, Patrick. Esthetic implant dentistry: soft
and hard tissue management. Illinois: Quintessence,
2001.
8 PASTOR, Fernando Pereira; BELLINI, Danilo Horie;
MOTTA, Maurício Carlos; MAZINI NETO, Paulo;
VELASCO, Adilson Francisco. Assentamento passivo em
próteses retidas por cimento: relato de caso
clínico. 3i Innov. J., Brasil, v. 3, n. 1,
p. 39-42, jan./jun. 1999.
9 RANGERT, B.; GUNNE, J.; SULLIVAN, D.Y. Mechanical
aspects of a branemark implant connected to a natural
tooth. Int. J. Oral Maxilofac Implants, United States,
v. 6, n. 2, p. 177-186, 1991.
10 SAHIN, Saime; CEHRELI, Murat. O significado da
adaptação passiva da prótese
sobre implante: estado atual. Implant Dent., Paraná,
ano 2, n. 10, p. 17-23, 2001.
11 SCHLICKMANN, Sandro. Prótese parafusada
versus prótese cimentada. Rev. Catarin. Implant.,
Florianópolis, ano 1, n. 1, p. 54-56, out.
2000.
12 SPIEKERMANN, Hubertus. Implantologia. Porto Alegre:
Artes Médicas, 2000.
Data de Publicação do Artigo:11 de Maio de 2006
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