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9 de fevereiro de 2010

Medcenter
:: ODONTOLOGIA SOCIAL E PREVENTIVA:: Artigo



Promoção de saúde: o uso de métodos preventivos em consultórios particulares na cidade de Belém-Pará

Colaborador



Documento sem título

Lanna Patrícia da Paz Brito
Aluna de Graduação da Universidade Federal do Pará.
Isabel Cristina Salame Chaves
Aluna de Graduação da Universidade Federal do Pará.
Rodrigo Daniel da Silva Feio
Aluno de Graduação da Universidade Federal do Pará.
Izamir Carnevali de Araújo
-Professor Adjunto IV do Curso de Odontologia da UFPA.
-Mestre em Clínica Integrada USP – Faculdade de Odontologia.
-Especialista em Saúde Pública ENSP-FIOCRUZ.
-Especialista em Saúde Coletiva CFO e CRO-Pa
-Coordenador de Projetos de Extensão em Saúde Coletiva na UFPA e Membro de Projeto de Pesquisa em Saúde Coletiva na UFPA.

Resumo
A cárie e a doença periodontal incidem em 80 e 90% da população brasileira, respectivamente, e somente 5% da mesma tem acesso aos cirurgiões-dentistas (CDs) particulares. A maioria da população desconhece que as doenças bucais podem ser evitadas. Por isso, a prevenção é um dever ético de todo profissional utilizando métodos eficazes para o controle das doenças. O objetivo deste estudo foi avaliar o uso de métodos preventivos em consultórios particulares no município de Belém-Pa. Foram selecionados 50 cirurgiões-dentistas inscritos no CRO-Pa, de forma aleatória, representativa do número de CDs do município, sem discriminação de especialidade. Para a realização do trabalho foi elaborado um questionário com 16 perguntas relacionadas à prevenção e distribuídos aos CDs. Analisando os resultados observamos que 94% dos profissionais fazem prevenção, mas somente 12% utilizam de forma integrada, sendo os especialista em odontopediatria, dentística e periodontia com maior freqüência. Verificou-se também que 85% dos CDs usam o flúor como técnica preventiva e 45% não utilizam o índice para determinação de placa. Podemos concluir que apesar dos métodos preventivos existentes, estes não são utilizados com regularidade e integralmente, de acordo com o risco individual de doenças, visando à promoção de saúde bucal no paciente.

Introdução
A evolução das doenças orais está intimamente relacionada ao nível de atenção que as mesmas recebem. Dentro deste nível de atenção, podemos ressaltar a atuação do cirurgião-dentista desde a indicação e orientação da higiene oral, passando pelos procedimentos diagnosticados precocemente até o tratamento das lesões já instaladas.
A população em sua grande maioria não tem consciência que as doenças bucais podem ser evitadas. A cárie dentária é uma doença infecto-contagiosa e sacarose dependente, que afeta 80% da população brasileira, as manchas brancas são as primeiras manifestações clínicas da doença e que se não forem remineralizadas, evoluem e originam as lesões cariosas com a perda localizada de minerais do dente (BUISCHI, 2000). Enquanto as doenças periodontais incidem em 90% da população e somente 5% da mesma tem acesso aos CDs particulares (MOIMAZ, 2002).
Este trabalho teve como objetivo realizar uma pesquisa com os Cirurgiões-Dentista de Belém para fazer um levantamento dos procedimentos preventivos utilizados pelos profissionais no controle e na prevenção das doenças bucais nos consultórios particulares e estudar o impacto epidemiológico desta pesquisa na prevenção da doença em todos os níveis de atenção em saúde bucal.

Revisão da Literatura
A cárie é um processo de descalcificação do esmalte dentário pelos ácidos formados por bactérias, que atuam sobre os carboidratos introduzidos com a dieta alimentar do indivíduo. Hoje sabemos que a cárie é uma doença infecto-contagiosa, estando relacionada principalmente aos microorganismos Streptococus mutans e Lactobacillus casei. Segundo Keyes são três os fatores essenciais para que se inicie o processo de cárie: o hospedeiro (dente), a microflora (bactérias) e o substrato (alimentos ingeridos). Também devem ser considerados a dieta ingerida, e o dente e sua condição de mineralização e resistência (ARAÚJO, 2000).
Na prevenção às cáries, o único elemento químico capaz de reduzir consideravelmente é o Flúor (ARAÚJO, 2000). Ele pode ser usado sob diferentes modalidades com a finalidade de aumentar a resistência do esmalte. O flúor na água do consumo pelas comunidades é uma das medidas mais adequadas de prevenção da cárie, ainda pode ser usado sob a forma de bochechos, aplicações locais sobre a superfície dos dentes, em dentifrícios, etc. O fluxo salivar também exerce função de prevenção à cárie. Além de seu poder tampão (capacidade de neutralizar ácidos), a saliva tem ação removedora. (remove a placa e restos alimentares que ficam na cavidade bucal, devido a uma escovação inadequada) (MURRAY, 1992; PINTO, 2000; BUISCHI, 2000).
A doença periodontal se define como um processo inflamatório, comprometendo um ou mais elementos de suporte do dente: gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar, ocasionada pelo acúmulo de placa bacteriana supra ou sub-gengival.
A prevenção da doença periodontal é feita através da remoção mecânica da placa bacteriana através da orientação correta da técnica de escovação e do uso do fio dental; e através da remoção química pelo uso de bochechos. A diminuição dessas doenças está intimamente relacionada à prevenção e educação, com a conscientização e motivação do paciente.
Segundo FERRIS & WINSLOW (1970), os princípios para serem seguidos para que a educação do paciente seja bem sucedida são: o paciente deve compreender os objetivos do tratamento, sobretudo a remoção da placa bacteriana; deve participar diretamente do tratamento, que proporciona melhor aprendizagem. Quanto maior a motivação maior será o progresso.
Em seu estudo, COUTO, et al (1992), analisaram a qualidade dos profissionais que conseguiram mudança de hábito em seus pacientes, observando três características comuns: não se impunham, eram autênticos e hábeis em fornecer tratamento em atmosfera segura e confiante, possuíam alto grau de conhecimento para esclarecer o paciente.
Porém a participação dos Cirurgiões-Dentistas, é fundamental no processo de prevenção da doença, pois através de um diagnóstico precoce e de um tratamento imediato, podemos interferir na prevalência e na incidência das doenças orais e com o uso adequado de métodos de prevenção no consultório, prevenir a ocorrência dessas doenças na cavidade bucal e promover uma efetiva promoção de saúde.

Proposição
Com base na importância do papel do cirurgião-dentista na prevenção das doenças orais, este trabalho se propõem a avaliar a utilização de métodos preventivos em consultórios particulares no município de Belém-Pa, como estratégia de prevenção em saúde bucal.

Materiais eMétodos
Foram selecionados 50 cirurgiões-dentistas inscritos no CRO-Pa, de forma aleatória, sem discriminação de especialidade. Para a realização do trabalho foi elaborado um questionário com 16 perguntas relacionadas à prevenção e aplicados aos CDs através de entrevista. Os resultados foram obtidos através de um estudo transversal descritivo e analisados em forma de percentual através de gráficos processados no aplicativo Excel/Windows-2000.

Resultados e Discussão
Analisando os resultados observamos que:
Dos cirurgiões-dentistas entrevistados no município de Belém 16% exercem odontopediatria, 10% periodontia, 10% dentística, 26% prótese e 38% outras especialidades (Gráfico - 1).

Gráfico 1- Especialidades entrevistadas na pesquisa

 

94% dos profissionais entrevistados afirmaram que fazem prevenção. Sendo que 82% destes praticam-na de forma isolada, não constituindo em programas de prevenção e, apenas 12% aplicam de forma integral. A justificativa exposta pela maioria dos profissionais foi o grande consumo de tempo despendido para as orientações preventivas, e como a maioria atende planos de saúde, estes não cobrem programas preventivos;
Os especialistas em odontopediatria, dentística, periodontia e os clínicos gerais realizam prevenção com maior freqüência em seus consultórios. Enquanto os endodontista, ortodontista e protesistas com menor freqüência, justificando que os pacientes já chegam em seus consultórios para fazer o tratamento em suas especialidades.
70% dos CDs indicam a aplicação tópica de flúor gel em todos os seus pacientes, independente do risco de cárie, em pacientes com xerostomia e que usam aparelhos ortodônticos. Enquanto 30% dos CDs aplicam flúor em casos específicos de alto risco de cárie.
44% dos cirurgiões dentistas não tem conhecimento sobre a fluoretação da água de abastecimento público de Belém-Pa. Devido a esta falta de informação, podemos afirmar que estes cirurgiões dentistas podem estar ocasionando fluorose dental em seus pacientes menores que 5 anos de idade por não orientarem sobre os riscos da ingestão da água floreteada. Segundo CURY (1992), crianças menores de 5 anos ingerem em média 30% de pasta por escovação.
Os métodos preventivos mais utilizados foram: 96% orientação sobre o uso do fio dental, 94% orientação sobre a técnica de escovação e 85% aplicação de géis fluoretados. Demonstrando a importância que os CDs depositam no ato da remoção mecânica da placa bactéria na prevenção das doenças orais (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Métodos preventivos utilizados pelos CDs em consultórios particulares de Belém-Pa.

 

Os índices para determinação de higiene oral com o uso de reveladores de placa são empregados por 45% dos profissionais entrevistados. Bennet (1964), analisa a importância do uso de evidenciadores de placa como um método de educação e motivação das técnicas de higiene oral.
Os métodos educativos mais utilizados foram: 96% explanações verbais, 53% macro modelos, 51% folders e apenas 4% ainda utilizam slides (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Utilização de métodos educativos pelos dentistas entrevistados em Belém-Pa.

 

83% usam taça de borracha e pedra pomes como profilaxia preferida (Gráfico 4).

Gráfico 4 – Medidas profiláticas empregadas pelos cirurgiões-dentistas em consultórios particulares em Belém-Pa.

 

36% dos CDs afirmaram que fazem a manutenção da saúde oral de 6 em 6 meses e 47% fazem de acordo com o risco de cárie (Gráfico 5).

Gráfico 5– Intervalo de tempo de retorno do paciente para manutenção da saúde oral.

 

Conclusões
Os resultados analisados demonstram que:
É muito alta a taxa de CDs que usam métodos preventivos (94%).
A grande maioria dos CDs entrevistados (84%) empregam as medidas preventivas de forma isolada, e somente 12% utilizam todos os métodos citados. Sendo que destes a orientação da escovação e do uso do fio dental são os mais utilizados, seguidos da flúorterapia.
Os instrumentos educativos mais citados foram explanações verbais (96%) e o uso de macro modelos (53%).
Dos CDs entrevistados somente 47% chamam seus pacientes para controle e manutenção da saúde oral de acordo com o risco individual de cárie.
Todos os cirurgiões-dentistas entrevistados (100%) vêem na prevenção satisfação profissional.
Portanto, podemos concluir que existe promoção de saúde nos consultórios particulares de Belém-Pará.

Referências Bibliográficas:
ACHUTTI, M. A. C. Aplicação de métodos de prevenção: uma análise indireta do nível de conhecimento dos profissionais. Rev ABO Nac. v. 6, n. 1, p. 52-55, 1998.
ARAÚJO, I. C. Odontologia como Promoção de Saúde. In: ROCHA, M. Odontologia reabilitadora: noções básicas para o clínico. São Paulo: Santos, 2000, 268 p.
BUISCHI, Y. A. P. Promoção de saúde bucal na clínica odontológica. São Paulo: Artes Médicas. Série EAP-APCD, v. 22, 2000, 359 p.
COUTO, J. L.; COUTO, R. S.; DUARTE, C. A. Motivação do paciente. RGO, v. 40, n. 2, p. 143-150, 1992.
CURY, J. A. Flúor: dos 8 aos 80? In: FELLER, C.; BOTTINO, M. A. Atualização na clínica odontológica - O dia-a-dia do clínico geral. São Paulo: Artes Médicas, 1992. cap. 26, p. 375-82.
FERRIS, R. T.; WINSLOW, E. K. reinforcing desired behaviour with periodontal patients. Dental Clin. North Am., v. 14, n. 2, p. 279-285, 1970. apud COUTO, J. L..; COUTO, R. S.; DUARTE, C. A. Motivação do paciente. RGO, v. 40, n. 2, p. 143-150, 1992.
MOIMAZ, S. A. S. Utilização de métodos preventivos em consultórios particulares. Rev. ABO Nac. v. 9, n. 6, p. 372-378, 2002.
MURRAY, J. J. Bases para a prevenção de doenças bucais. São Paulo: Santos, 1992, 234 p.
PINTO, V. G. Saúde bucal coletiva. 4 ed. São Paulo: Santos, 2000, 541p.




Data de Publicação do Artigo:

9 de Setembro de 2004





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