Resina composta para uso em dentes posteriores Auxiliar
Colaborador
Documento sem título
Renata
Maria Félix Maia
Gustavo Batista Pereira
*
Graduandos do Curso de Odontologia da Universidade
Federal da Paraíba
Resumo
O uso da resina composta em dentes posteriores vem
sendo muito pesquisado nos últimos anos apresentando
melhoras significativas, principalmente quanto ao
preparo conservador, entretanto existem limitações
para seu uso. Esse constante aperfeiçoamento
das resinas compostas para uso em dentes posteriores
se deve a diversos fatores tais como: a solicitação
cada vez maior dos pacientes por uma restauração
agradável do ponto de vista estético,
a constante busca por procedimentos restauradores
menos invasivos e a controvérsia em relação
ao uso do amálgama. Neste artigo apresentam-se
a evolução dos materiais, orientações
de indicação e os passos técnicos
de uma restauração de resina composta
posterior.
Unitermos:
resina composta; restaurações estéticas;
dentes posteriores.
Abstract
Composite resin in posterior teeth has been researched
a lot last years showing great advances, however there
are limitations that impede the use of this material
for all situations. This constant improvement in composite
resin in posterior teeth can be attribute the patients
more and more solicitation for a esthetics restoration,
constant search for restored procedure less invasion
and the controversy in report for the use amalgama.
In this article will be shown the evolution, rules
of aplication and tecnichal steps of composite resin
as a restorative material for posterior teeth.
Key
Words: composte resin; estetic restorations;
posterior teeth.
Introdução
A resina composta em dentes posteriores tem sido exaustivamente
pesquisada nos últimos anos. Isto se deve a
certos fatores como a maior exigência pela estética,
a possibilidade de permitir um preparo conservador
e a controvérsia relacionada ao uso do amálgama.
Embora os sistemas adesivos e as resinas compostas
tenham evoluído bastante nas suas propriedades
mecânicas (falha de união, resistência
ao desgaste, contração de polimerização,
entre outros) ainda existem limitações
para o uso das resinas compostas em dentes posteriores.
Como resultado da concorrência entre fabricantes
ganha-se resinas com mais opções de
cores, graus de opacidade, resinas condensáveies
e inovando com a caracterização intrínseca
e a técnica da estratificação
natural para restaurações em porcelana.
O objetivo do presente trabalho é fazer uma
revisão dos materiais disponíveis, orientar
uma correta indicação e detalhar passos
técnicos de uma restauração de
resina composta posterior.
Revisão Bibliográfica
Neste último século o mundo passou por
muitas transformações e grande parte
destas com o objetivo de tornar a vida do ser humano
melhor e mais longa. Na Odontologia também
houve muitas mudanças nos últimos 30
anos em destaque para o maior conhecimento da doença
cárie como doença multifatorial que
pode ser evitada, inativada ou revertida. E com todo
o avanço já alcançado é
uma tendência de que, cada vez mais rápido
, surjam novas descobertas.
Durante o século passado o dentista tinha como
materiais restauradores diretos o amálgama
para dentes posteriores, o cimento silicato e a resina
acrílica para os anteriores. Para a utilização
destes materiais era necessário a remoção
de tecido cariado e também de tecido hígido
para proporcionar forma de resistência e retenção.
Outro objetivo da remoção de tecido
dental hígido era tido como a extensão
preventiva.
Com o advento da técnica do condicionamento
ácido do esmalte, preconizado por Buonocore,
em 1955, e o desenvolviento das resinas compostas
em 1963 por BOWEN(5), começou
uma nova era na odontologia restauradora em que a
partir deste momento o dentista tinha a sua disposição
materiais que poderiam ficar aderidos nas cavidades.
Bowen, desenvolveu um composto formado pelo Bis-GMA
(matriz orgânica com partículas de carga
silanizadas) que apresentava vantagens de apresentar
um peso molecular maior e menor contração
de polimerização PHILLIPS(11).
Mas inicialmente ainda haviam muitos problemas como
o alto índice de infiltração
marginal e recidiva de cárie juntamente com
pouca estabilidade de cor e resistência mecânica
e com isso houve um período de descrédito,
principalmente quanto ao uso em dentes posteriores.
Mas com o tempo os materiais foram sendo aprimorados
e a partir da década de 80 houve um aumento
no uso devido o surgimento das resinas fotopolimerizáveis
e o melhoramento dos sistemas adesivos.
As resinas compostas atuais ainda são baseadas
na formulação de Bowen, com algumas
modificações(5). A
matriz resinosa, que é a parte quimicamente
ativa com monômeros que vão estabelecer
ligações cruzadas no momento da polimerização
conferindo resistência ao material, é
comumente constituída pelo Bis-GMA (Bisfenil-A
glicidil metacrilato) ou UDMA (uretano dimetacrilato).
Existem ainda diluentes como o TEG-DMA (Trietileno
glicidil dimetacrilato) ou EDMA (Etileno glicol dimetacrilato)
que reduzem a viscosidade só que aumentam a
contração de polimerização
(11). Mais um inibidor de polimerização
para garantir vida útil mais longa, e o mais
utilizado é a hidroquinona. Mas hoje em dia
já existem resinas com outros tipos de matrizes
devido a constante busca por parte dos fabricantes
por materiais cada vez melhores. Segundo BAUSCH
(4) em um estudo de tese, concluiu que a
contração de polimerização
da resina composta varia em 2 a 3% do volume,entretanto
os fabricantes esperam que futuramente existam matrizes
resinosas com mínima contração
de polimerização.
À matriz são incorporadas partículas
de carga (porção inorgânica) para
melhorar as propriedades físicas do material,
possibilitando: diminuição da contração
de polimerização e aumentando resistência
ao desgaste. So que há um limite, pois pode
prejudicar a função estética.
São cargas comumentes usadas: quartzo, sílica
coloidal, vidro de fluorsilicato de alumínio
além de bário e estrôncio (proporcionam
radiopacidade).
Para desencadear a reação de polimerização
existem os iniciadores. A amina terciária segmenta
o peróxido de benzoíla dando início
ao processo (nas resinas quimicamente ativadas). Já
nas resinas fotopolimerizáveis a luz que tem
um comprimento de onda de 470 nanômetros ativa
a canforoquinona (iniciador) gerando a interação
reativa com as aminas terciárias.
Segundo Conceição (6)
as resinas compostas podem ser classificadas quanto
ao tamanho das partículas inorgânicas,
existindo:
1 Macropartículas: as partículas com
tamanho entre 15 e 100 micrômetros, sendo denominadas
convencionais.
2 Micropartículas: as partículas possuem
tamanho médio de 0.04 micrômentros.
3 Híbridas: são compostas por macro
e micropartículas com tamanho entre 1 e 5 micrômetros.
4 Micro-híbridas: são uma combinação
entre micropartículas (0.04 micrômetros)
e partículas maiores de no máximo 2
micrômetros, com tamanho médio de 0.6
e 0.8 micrômetros.
Também
podem ser classificadas pelo grau de escoamento:
1 Resinas de alto escoamento (flow)
2 Médio escoamento (microhíbrida e microparticulada)
3 Baixo escoamento (condensável)
As
resinas condensáveis possuem uma menor tendência
ao escoamento, possibilitam a obtenção
do ponto de contato sem necessidade de outros dispositivos
e possuem uma menor contração de polimerização
(segundo fabricantes). Mas o termo condensável
é questionável, já que o seu
volume não se altera sob pressão e alguns
autores sugerem que uma melhor denominação
seria de resinas compactuáveis.
Nas ultimas décadas tem-se pesquisado bastante
o uso de resina composta em dentes posteriores devido
a vários fatores como:
1 A busca do paciente por restaurações
mais estéticas
2 A busca por procedimentos restauradores menos invasivos
3 A controvérsia quanto ao uso do amálgama
Devido
a evolução atualmente alcançada
das resinas compostas e dos sistemas adesivos pode-se
diminuir problemas como a resistência ao desgaste,
falha de união à dentina, contração
de polimerização, manchamento superficial.
Devido a maior opção de cores e o desenvolvimento
de resinas com diferentes graus de opacidade e translucidez
juntamente com os corantes tornou-se possível
realizar restaurações aproximando-se
muito da aparência natural dos dentes. De acordo
com JORDAN et al (8) e MAZER
et al (10). A resistência ao desgaste
é aumentada, introduzindo-se partículas
de microenchimento pré polimerizadas com adesão
melhorada à matriz de resina. As resinas de
megapartículas incorporam vidro para proteger
do desgaste. RADA (12) e BAYNE
et al (2). À partir desses melhoramentos,
o desgaste oclusal médio da Resina Composta
posterior teve uma redução acentuada,
LEINFELDER (9).
Indicações
1 Restauração de lesão de cárie
na superfície oclusal, permitindo um preparo
mais conservador podendo-se manter o esmalte socavado
(devido a progressão lateral da lesão).
2 Restauração na superfície proximal,
onde dependendo do caso podem ser feitos preparos
ultra conservadores como tipo túnel e slots
vertical ou horizontal ou através do acesso
direto.
3 Cavidades envolvendo oclusal e proximal onde a resina
pode ter a função de reforçar
a estrutura dental remanescente.
4 Restauração de dentes fraturados,
que geralmente ocorre com restaurações
antigas não adesivas e amplas.
5 Substituição de restauração
antiga de amálgama ou compósito por
questões estéticas
6 Substituição de restauração
deficiente de amálgama em que uma das falhas
mais comum é o erro no preparo devido pouca
profundidade ou retenção.
7 Fechamento de diastemas por razões estéticas
ou para estabilizar a posição dos dentes
no arco.
8 Presença de esmalte em todo ângulo
cavo-superficial.
Limitações
1 Sensibilidade à técnica restauradora.
Fator mais limitante e a maior preocupação
é a contração de polimerização
que deve ser controlada para evitar a ocorrência
de fendas marginais e com isso sensibilidade pós-operatória
e flexão das cúspides devido a tensão
gerada pela contração.
2 Casos em que não há esmalte na margem
cervical de uma cavidade proximal a princípio
contra-indica o uso de resinas compostas para uso
direto devido o maior risco de insucesso sendo indicado
uma semidireta ou indireta. Ou ainda a colocação
de amálgama na porção mais gengival
ou ionômero de vidro com complementação
em resina.
3 Em restaurações ocluso-proximais em
princípio devem ser executadas com isolamento
absoluto. No entanto não quer dizer que só
podem serem feitas com o mesmo. Cavidades ocluso-proximais
com parede cervical supra gengival especialmente localizadas
em dentes posteriores superiores e pré-molares
inferiores podem ser restauradas com isolamento relativo.
4 Resinas autopolimerizáveis não devem
ser usadas para restaurar a superfície oclusal,
mas podem ser usadas em conjunto com resinas fotopolimerizáveis
na parede cervical proporcionando um melhor selamento
por menor tensão na margem. Pois as resinas
autopolimerizáveis levam mais tempo para compensar
a tensão causada pela contração
de polimerização.
5 Extensão da área. Quanto maior, principalmente
se houver envolvimento de cúspide, menor será
a expectativa da vida útil devido stress mecânico
ou desgaste oclusal.
6 Possibilidade de manchamento superficial. Pacientes
fumantes ou que ingerem freqüentemente substancias
corantes tem um maior risco de alteração
de cor.
Vantagens
1 Permite preparo conservador limitado ao acesso e
remoção do tecido cariado
2 Boa estética
3 Reforço da estrutura dental
4 Facilidade do preparo
5 Menor custo comparado a técnicas indiretas
Segundo
a técnica restauradora Conceição
(2000) classifica as restaurações de
resina composta em:
1 Direta: quando a restauração é
feita diretamente no dente preparado, necessitando
geralmente de uma sessão clínica.
2 Semidireta: quando a restauração é
feita sobre um modelo ou sobre o próprio dente
preparado, seguido de polimerização
adicional e cimentação adesiva, necessitando
de maior tempo clínico.
3 Indireta: a restauração é confeccionada
sobre um modelo de gesso envolvendo uma fase laboratorial,
necessitando mais de uma sessão clínica.
O
dentista tem que ter sempre como objetivo realizar
um procedimento restaurador dentro de um contexto
de promoção de saúde e preservando
ao máximo estrutura dental hígida. Diante
disso alguns critérios devem ser avaliados:
Localização
e extensão da lesão
Restaurações de resinas compostas permitem
uma maior preservação de tecido hígido,
mas já em restaurações extensas
na oclusal tem um maior risco de degradação
e em lesões nas faces proximais deve-se evitar
ao máximo o envolvimento da superfície
oclusal.
Hábitos nocivos
Por questões mecânicas (bruxismo) ou
químicas (fumo, ingestão de corantes)
tais fatores vão interferir na longevidade
da restauração.
Oclusão
Quanto mais para distal e maior a extensão
pior é o prognóstico devido o maior
stress mecânico e o número de contatos
cêntricos.
Seleção do material e técnica
Técnica
Poderá ser direta, indireta ou semidireta.
Para a escolha deverá ser levado em consideração
a localização do dente no arco, envolvimento
estético, carga mecânica, acesso e a
localização das margens. Sendo os mais
importantes a localização e extensão.
Localização |
Extensão |
Técnica |
|
sem
envolvimento de cúspide
|
|
com
envolvimento de cúspide |
Direta |
Superfície
proximal
|
com
ou sem envolvimento de cúspide |
Direta |
composta |
Direta/Indireta |
complexa |
Indireta |
Superfícies
V ou L
|
qualquer
extensão
|
Direta
|
Seleção
da Resina
Depende da localização e extensão
do preparo levando-se em consideração
as propriedades dos diferentes tipos de resina
Oclusal: micro-híbridas ou
condensáveis devido a alta quantidade de carga.
Próximo-oclusal: condensáveis
pois facilitam a confecção do ponto
de contato. Mas existem técnicas para reproduzir
o contato interproximal podendo-se usar resinas micro-híbridas.
Outra possibilidade é a aplicação
de uma resina flow que alcança facilmente as
irregularidades favorecendo uma melhor distribuição
de forças seguida de uma micro-híbrida
ou condensável.
Vestibular ou Lingual: pode-se usar
micro-híbridas, micropartículas ou flow
ou combinação destas pois não
há grande tensão mecânica e sim
uma maior exigência quanto a lisura superficial.
Seleção do tipo do preparo
Depois de feita a localização e a previsão
da possível extensão o preparo deve
ser o mais conservador possível, procurando
preservar cristas marginais, bordas de esmalte e áreas
sadias mesmo onde há esmalte sem suporte.
As lesões oclusais podem ser diagnosticadas
quando ainda estão em esmalte ou quando já
possuem algum envolvimento de dentina. Em ambos os
casos podem estar ativas ou inativas.
Lesões confinadas em esmalte não necessitam
de tratamento invasivo, mas deve-se levar em consideração
que nem sempre a aparência da superfície
oclusal corresponde exatamente a realidade em relação
a extensão em dentina. Assim lesões
em dentina podem ou não estarem associadas
a cavidades na superfície oclusal.
Lesões cariosas nas faces proximais tem sido
relatadas em geral como de evolução
lenta e alguns estudos feitos afirmam que podem levar
até 4 anos para a formação de
uma cavidade em esmalte e outros relatam que até
8 anos.
Analisando o aspecto radiográfico, lesões
com extensão para o terço externo de
dentina não se apresentam cavitadas e 60% das
que atingem a metade externa também não
se encontram com cavitação, assim, não
necessitando de tratamento restaurador. Também
pode-se fazer o diagnóstico através
da visualização após afastamento
com anéis de borracha para separação.
Quanto a forma do preparo
1.
Oclusal
• Preparo limitado
a forma da lesão
• Área de esmalte sem suporte preservada
• Pode-se na mesma superfície, haver
necessidade
de mais de um preparo
• Sem bisel
2.
Proximal sem o envolvimento de crista marginal
1) Acesso pela vestibular
ou lingual
(Sem bisel nem extensão)
2)Túnel: acesso
por oclusal mantendo no mínimo 2mm de crista
marginal
- sem bisel
- manutenção do esmalte sem suporte
3)Acesso: manutenção
do esmalte socavado
Direto sem bisel ou extensão
3. Proximal com envolvimento de crista marginal
Slot Vertical: -acesso por oclusal na região
de crista marginal
- movimentos pendulares
- sem bisel
Cavidade composta ou complexa
Superfícies
vestibular ou lingual
- acesso direto
- sem bisel ou extensão
Técnica restauradora
-
Seleção de cor
A seleção de cor é menos crítica
do que em dentes anteriores, mas deve-se considerar
o grau de expectativa do paciente. Para se realizar
uma restauração tornando-a o mais semelhante
possível ao dente natural, deve-se ter conhecimento
de algumas características como que o dente
é policromático e a resina é
monocromática, por isso deve-se construir a
parte equivalente a dentina com material opaco, simular
pigmentações e construir esmalte com
compósito translúcido.
-
Preparo cavitário
Deverá ser restrito a lesão, sem bisel
e uma regularização final poderá
ser feita com cortantes manuais.
Em cavidades que envolvem a face proximal, não
é necessário estender o preparo para
romper os contatos proximais como em uma restauração
de amálgama. E na troca de uma restauração
de amálgama deve-se remover o tecido escurecido
nas margens por questões estéticas
-
Isolamento
-
Limpeza da cavidade
Etapa importante para que o sistema adesivo atue da
melhor forma possível. Deve ser feita com pedras
pomes e escova de Robinson.
-
Condicionamento ácido
-
Lavagem e secagem
Após a lavagem da cavidade esta deverá
ficar com um aspecto de brilho úmido. A secagem
total irá colabar as fibras colágenas
interferindo na qualidade da adesão.
O ácido e os produtos da reação
deverão ser removidos nesta etapa. Caso não
seja realizada adequadamente no esmalte haverá
precipitação de nono e difosfato de
cálcio o que irá interferir na efetividade
do sistema adesivo e em dentina a permanência
do ácido irá comprometer a polimerização
do adesivo.
-
Inserção da resina
Não deverá ultrapassar 2mm de profundidade
para que se possa minimizar a contração
de polimerização.
Em cavidades conservadoras, na maioria das vezes,
podem ser preenchidas por um único incremento,
já em áreas mais extensas é mais
indicada uma inserção oblíqua
evitando unir cúspides opostas reduzido o stress
da contração de polimerização,
evitando a flexão das cúspides e facilitando
a escultura reduzindo a fase de acabamento e polimento.
Uma questão importante que também deve
ser avaliada é a possibilidade da restauração
falhar adesivamente. Esta pode ser prevista através
da análise do Fator C ( cavity design factor),
que resumidamente é o quociente da divisão
de áreas unidas por uma resina pela área
livre da resina. Por exemplo: uma cavidade classe
I preenchida de uma só vez, haverá união
entre a resina e 5 paredes e apenas uma parede (oclusal)
livre para liberar a tensão havendo grande
possibilidade de falha devido a dificuldade de acomodação.
Em paredes cervicais, em cavidade ocluso-proximais,
geralmente há pouco ou nenhum esmalte, representando
um problema para a boa união. Algumas técnicas
são sugeridas como a associação
de uma resina autopolimerizável com uma fotopolimerizável,
uma vez que as resinas quimicamente ativadas levam
mais tempo para polimerizarem totalmente com isso
a tempo para compensar a tensão causada pela
contração de polimerização
proporcionando um melhor selamento por causar menor
tensão na margem. Outra boa opção
é o uso de resinas flow como primeira camada
pois apresenta um bom escoamento e adaptação
em pequenas irregularidades e devido possuir um menor
módulo de elasticidade podem funcionar como
amortecedor e neutralizar ou minimizar as tensões
entre dente e restauração.
A dentina é confeccionada com pequenos incrementos
de resina mais opaca e croma mais acentuado e podem
ser usados corantes. Na última camada deve-se
usar uma resina translúcida para simular o
esmalte.
-
Obtenção do ponto de contato
• Colocação de um insert
• Uso de instrumentos específicos (contact-pro)
• Pré-encunhamento
• Resinas condensáveis
• Ajuste oclusal
-
Ajuste oclusal
-
Acabamento e polimento
Procedimentos de recontornos e acabamento devem ser
sempre que possível evitados ou minimizados
por depender de técnica meticulosa. Quando
forem inevitáveis devem ser realizados suavemente
e após esse procedimento está indicado
o uso de agentes selantes de superfície (fortify,
optigard, protect-et) sobre superfícies e margens.
Pois tais procedimentos reduzem a resistência
ao desgaste, causam maior degradação
marginal, manchamento e redução da dureza.
Os instrumentos rotatórios normalmente deixam
riscos e fendas que se aprofundam em média
50 micrômetros, mas podem ser eliminados ou
diminuidos pelo polimento ou aplicação
de selantes de superfície atuando em fissuras
estreitas com até 25 micrômentros.
Principais
causas de falhas
- Seleção inadequada do caso.
• superfícies amplas sujeitas a forte
carga oclusal
• caixas proximais muito extensas gengivalmente
• pacientes não motivados em relação
a higiene bucal
-
Falha na remoção total do tecido cariado
que pode levar a sensibilidade pós-operatória,
fratura da restauração e cárie
recorrente.
- Isolamento inadequado
- uso de materiais não compatíveis
- Aplicação imprópria de matrizes
e cunhas gerando contornos inadequados com contatos
deficientes ou inexistentes e excessos ou falta de
material.
- Inserção inadequada com falha de contato
com as paredes cavitárias, gerando sensibilidade
pós-operatória, deslocamento parcial
da restauração e fratura.
- Polimerização insuficiente
- Uso de materiais de qualidade questionável
- Paciente com hábitos nocivos
Em casos de desgaste oclusal na superfície
da restauração, poderá ser feito
um reparo ou quando for feita a substituição
parcial o profissional deverá estar certo de
que o remanescente encontra-se em condições
satisfatórias.
No Reparo de resinas BAYNE et al (2)
descreve que uma restauração nova pode
ser aderida à velha com resistência aproximada
de 85% do sistema original.
Métodos
de reprodução oclusal:
-
Com matriz: quando a superfície oclusal
se encontra íntegra mas existe lesão
de cárie em dentina. Confecciona-se uma matriz
em resina acrílica ou silicona incolor copiando
as características da superfície oclusal.
- Sem matriz: quando a progressão
da lesão ou a presença da restauração
impossibilita a cópia da morfologia oclusal.
Os sistemas semidiretos e indiretos de restauração
com resina composta visam minimizar ou eliminar os
problemas associados à técnica direta
devido a manipulação e polimerização
do material em condições ideais de luz,
temperatura, umidade, pressão e tempo levando
a uma melhor polimerização.
Indicações:
- Restaurações que envolvam mais da
metade do istmo entre as cúspides vestibulares
e linguais.
- Restaurações amplas com envolvimento
de cúspides
Vantagens:
• Em relação as restaurações
metálicas
- Estética
- Não requerem cobertura de cúspide,
pois a adesividade proporcionada pela técnica
adesiva de cimentação une as paredes
do dente, gerando um conjunto resistente à
fratura.
• Em relação à porcelana
- Mais barato
- Facilmente reparado
São menos estéticas
Técnica Indireta:
- Polimerização fora da boca (mas uniforme
e completa)
- Controle da escultura
Desvantagens:
- Duas sessões (1ª- preparo, moldagem,
provisória) (2ª- prova, ajuste)
- Maior susceptibilidade ao erro.
- Necessidade de cimentação.
- Necessidade de preparos.
Semidireta
- Uma sessão
- Necessidade de um processador para polimerização
complementar.
Técnica
da semidireta:
Após o término do preparo
- Isolamento a base de glicerina
- Incrementos de resina
- Levar a restauração ao forno ou câmara
de polimerização
- Acabamento
- Cimentação
Indireta
Técnica da Indireta:
Após o término do preparo
- Moldagem
- Restauração provisória
- Fase laboratorial
- Ajuste e cimentação
Conclusão
Muitos autores (ANDRADA et al (1),
FERRACANE (7); SANTOS,(13)
afirmam que a Resina Composta Posterior, apesar dos
grandes melhoramentos, não pode ser indicada
como substituto do amálgama. Os mesmos autores
são unânimes em indicar a resina composta
para restaurações conservativas, principalmente
quando a estética é exigida. Nestes
casos a resina composta oferece uma forma de tratamento
ímpar, devido à sua grande habilidade
de combinar cores.
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Data de Publicação do Artigo:11 de Maio de 2006
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