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1 de agosto de 2010

Medcenter
:: DENTÍSTICA :: Artigo



Aspectos importantes da prótese dentária na 3ª idade

Auxiliar

Colaborador



Documento sem título

Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro(*)
Mestre e Doutor pela F. O U.S.P.
Coordenador Curso Especialização Odontogeriatria Abeno-SP
Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia- SBGG

Dr. Leonardo Marchini
Mestre e Doutor pela UNESP- SJC
Professor Curso Especialização Odontogeriatria Abeno-SP
Professor Contratado na UNITAU e UNIVAP

Dr. Ruy Fonseca Brunetti(**)
Doutor pela Faculdade de Medicina da U.S.P.
Professor Emérito pela UNESP- SJC
Consultor em Odontogeriatria

Dr. Carlo Marchesini Pereira
Professor Voluntário Prótese Dentária UNIP
Professor Voluntário Cirurgia UNIP-Bacelar
Responsável Odontologia Fundação Cruz Azul


Introdução

A Odontologia Geriátrica tem se desenvolvido muito nos últimos anos no Brasil, apesar de já estar bem delineada nos EUA desde meados do século passado e mesmo considerando a escassa literatura nacional — mas não tão diminuta no exterior — cria uma enorme possibilidade de trabalho para os cirurgiões - dentistas e por decorrência para nossos colegas Técnicos em Prótese Dentária, por isto a troca de experiências é vital para ambos os profissionais (BRUNETTI, MONTENEGRO(1999)5).

Os idosos fazem parte de uma camada da população que está crescendo vertiginosamente em todo o mundo e espera-se que seja o grupo mais numeroso por volta de 2020 - 2040, salientam BRUNETTI e colab.(1998)3 o que está nos obrigando a ver o problema com atenção, já que o saneamento básico, vacinas, medicamentos modernos, prevenção de doenças em diversos níveis e o menor número de filhos por casal (tendência mundial) contribuem para dar sustentação às previsões do IBGE (1995)6 e da ONU (1998)14.

Conforme MONTENEGRO,BRUNETTI(1999)13 e MARCHINI e colab. (1999)9 são indivíduos com características particulares, seja por terem tido "derrame"; por precisarem que parentes os tragam aos consultórios; que só consigam ficar pouco tempo em nossas cadeiras; que por problemas cardíacos só podem ser atendidos pela manhã; que precisem de soluções de grande complexidade em poucas sessões clínicas; que não toleram o volume de moldeiras e o escorrimento dos materiais de moldagem por sua boca; que por medicamentos diversos têm um fluxo salivar diminuído; cujos problemas com coagulação impedem as cirurgias gengivais para preparos/ moldes mais nítidos e também com o menor conteúdo mineral do esmalte pode impedir parcialmente a eficiência dos ataques ácidos, são apenas algumas das dificuldades clínicas encontradas e de ampla exemplificação desde os trabalhos pioneiros de KAMEN e ETTINGER3, nas décadas de 60 e 70 do século passado BRUNETTI e colab. (2000)4.

Estas condições clínicas dos pacientes nos obrigam a mudar o modo de trabalho, sem contar os casos quando somos obrigados a atender pacientes em suas casas ou centro geriátricos, como afirmam MARCHINI e colab. (1999)9, onde até as condições de trabalho fogem totalmente da normalidade dos gabinetes dentários, com implicações diretas para os trabalhos recebidos pelos técnicos de prótese dentária.
Dado ao grande número de variações clínicas passíveis de ocorrer em Prótese Dentária, destacaremos algumas que classificamos como diferenciais no atendimento do idoso.


Discussão de situações clínicas diversas

A figura l tenta mostrar (de uma forma "exagerada") a importância da higienizaçao — por diversos meios de higiene interdental, para um mesmo caso. O que deve ficar desta imagem é que os trabalhos devem ter suas ameias preservadas, e para tanto os técnicos de prótese devem possuir exemplares de escovas interdentais (Oral-B,J&J, Kolynos, Bitufo, Polidental, Higipratic, Kremer) em seus laboratórios ou — nos casos mais extremos de necessidade estética ou de proximidade das raízes — ao menos condições de uso de passadores de fio dental (Sanifil, Butler). Segundo LASCALA; MOUSSALLI; BRUNETTI (1989)8 nunca a estética pode suplantar a função: para ter longevidade na boca, o trabalho tem que possuir condições ideais de limpeza diária.

Com o advento da implantodontia ósseointegrada de sucesso previsível e inconteste (desde que corretamente indicada e realizada) (TODESCAN(1996)16, PINTO e. colab. (2000)15 houve uma tendência de desprezo pelo uso das P.P.Rs. para os casos em que eram comumente indicadas, associadas (ou não) a encaixes, PPFixas, etc.... Felizmente a Odontogeriatria traz "de volta" a "velha" P.P.R. , pois são inúmeros os casos onde o paciente — apesar de ter condições financeiras para o uso de implantes, não os pode receber por motivos médicos (cirurgia(s) contra-indicada(s), de locomoção (número de sessões/ prazo até próteses definitivas), de higienização (pela impossibilidade da boa higiene na região perimplantar — BISSETTO (2000)2), de qualidade óssea (por motivos locais ou sistemicos), e para estes pacientes, portanto, a P.P.R. é o único meio de reabilitação possível.

A figura 2 mostra a sela metálica, para um caso superior, arco no qual MONTENEGRO (1989)12 relatou menor reabsorção óssea e também age como um excelente meio de suporte complementar, especialmente nos casos de poucos dentes remanescentes e somado- neste caso clínico — a um recobrimento total do palato — ajuda muito na preservação dos suportes. Uma trajetória de inserção bem balanceada para ambas as estruturas, como a, por exemplo, dada pelo método de Applegate (KLIEMANN; OLIVEIRA, 1999)7, ajuda ao paciente na inserção e remoção da prótese.

O aproveitamento da elasticidade dos grampos longos — indicados para dar menos carga aos dentes suportes — é corretamente aplicada neste caso (figura 3),onde a resina da sela está ALIVIADA do corpo do grampo, podendo permitir que ocorra a função esperada do mesmo 16.

Outro caso (Figura 4) onde os dois sistemas de suporte — mucoso e dentário — são aproveitados ao seu máximo: o uso de barra bipartida, que é de difícil confecção pelo TPD iniciante, mas que em mãos habilidosas são um excelente recurso clínico. As críticas deste meio de distribuição de cargas, muito comuns no passado, se mostraram totalmente incoonsistentes com o correto funcionamento de inúmeros casos ao longo dos anos.


Na recuperação da Dimensão Vertical perdida, as P.P.Rs. podem ser um excelente meio de tratamento, pois seria inadequado — face às inúmeras sessões clínicas necessárias — aumentar a DVO com próteses fixas, especialmente nos pacientes idosos. Perceba que a armação de Cromo-Cobalto realiza esta função com segurança e a um custo (financeiro, de desgaste de estrutura dental
íntegra, de sessões clínicas) muito baixo (figuras 5 e 6).

 

As sobredentaduras que, segundo BASKER e colab. (1991)1, são um método bastante eficaz de preservar o volume ósseo ao redor de raízes remanescentes, e de reabilitar aqueles que não as podem receber como implantes e nas figuras 7 e 8 observamos um caso, cujas raízes com encaixes Ceka permitiram uma prótese muito mais funcional e confortável e que deu longevidade desta prótese total até o óbito da paciente (com controles e reembasamentos — desde que necessários — constantes).

A figura 9 mostra um tipo de conceito que deve fazer parte dos planejamentos mais extensos em pacientes idosos: a separação máxima dos elementos, para permitir que no caso de cáries de raiz — mais comuns na 3a idade pelo menor fluxo salivar (MARCHINI e colab.(1999)9) — possa ser menor o número de sessões para resolução dos problemas porventura apresentados.

O uso de próteses com coroas metaloplásticas (veneer), mesmo na implantodontia, é uma medida extremamente válida, pois a manutenção da oclusão, o evitar dos consertos em porcelana, o menor dano aos antagônicos são vantagens além do custo menor e menos uma sessão clínica (figura 10 - cedida pela 3i Brasil).

 


Conclusão

Existe espaço para qualquer possibilidade reabilitadora disponível na atualidade para os casos de pacientes idosos e cabe ao Cirurgião Dentista e ao Técnico em Prótese Dentária discutirem muito os casos antes de realizá-los, como sempre foi mister em nossas Profissões.
Condições de saúde, da técnica versus as estruturas remanescentes, de número de consultas, de custos pessoais e financeiros que devem ser bem ponderadas antes de qualquer terapia com indivíduos de 3a idade, cabendo uma leitura mais aprofundada sobre o tema, tanto na literatura disponível como na Internet (como neste Site, por exemplo).


Referências Bibliográficas

1. BASKER R.M.; HARRISON, A.; RALPH J.P.Sobredentaduras (overdentures) na prática geral, Ed. Santos, São Paulo, p. 35 - 54, 1991.

2. BISSETTO, E.M.P. Etiopatogenia das doenças perimplantares. Contribuição ao estudo. Dissertação Mestrado, 110 p. Universidade Paulista, 2000.

3. BRUNETTI, R.R; MONTENEGRO, F.L.B.;MANETTA, C.E. Odontologia geriátrica no Brasil: uma realidade para o novo século, Atual. Ger., v. 3, n. 15, p. 26 -
29, Mar. 1998.

4. BRUNETTI, R.R; MONTENEGRO, F.L.B.Odontogeriatria: prepare-se para o novo milénio, in: Atualização na clínica odontológica. Artes Méd., São Paulo, v. l, p.467 - 488,2000.

5. BRUNETTI, R.R; MONTENEGRO, F.L.B.Odontogeriatria: uma promissora atividade neste inicio de século, Interativo, v. 5, n. 36, p. 4 - 5, Jul. / Ago. 1999.

6. IBGE, Projeções preliminares de população 1980- 2020, Departamento de população e indicadores sociais,Mar. 1995.

7. KLIEMANN C.; OLIVEIRA W. Manual de Prótese Parcial Removível, Ed. Santos, São Paulo, p. 29 -44, 1999.

8. LASCALA, N.T; MOUSSALLI N.; BRUNETTI,R.F., Prótese Dentária e Periodontia, Artes Méd., São Paulo, p. 851 - 868, 1989.

9. MARCHINI L.; CUNHA, V.P.R;GIORDANO, C.E.; SANTOS, J.F.F. Odontologia geriátrica: um panorama geral.FOPLAC Rev., v. l, n. 2, p. Ill - 116,1999.

10. MARCHINI L.; BRUNETTI,R.F.; MONTENEGRO, F.L.B. Acompanhamento odontológico em centros geriátricos. Atual. Ger., v. 4, n. 24, p. 34 - 36, Ago.1999.

11. MARCHINI, L. Tratamento protético para pacientes idosos: considera-
ções clínicas, Rev. Brás. Prót. Clín. Lab., v.l, n. 3, p. 265-270, 1999.

12. MONTENEGRO, F.L.B., Revisão e análise das técnicas utilizadas na avaliação da reabsorção óssea em casos de próteses parciais removíveis. São Paulo, 1989, 52 pág., Dissertação Mestrado, Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

13. MONTENEGRO, F.L.B;BRUNETTI, R.F. Prótese dentária na 3a idade: aspectos relevantes a serem considerados, Jornada Odontogeriatria APCD, p. 80-87,1999

14. ONU - Population Fund. - The state of world population, Report 1998.

15. PINTOA.V.S.;RAMALHOS.A.;PEREIRA, L.A.V. Fatores de risco, complicações e fracassos com implantes ósseointegrados, in: Atualização na Clínica
Odontológica, v. l, p. 131-217, 2000.

16. TODESCAN, R.; SILVA, E.E.;SILVA, O. Atlas de Prótese Parcial Removível, Ed. Santos, São Paulo, p. 180 - 208,1996.

(*),(**)- Autores do Livro Pioneiro: "Odontogeriatria:Noções de Interesse Clínico",Editora Artes Médicas,2002,500 pgs.
(Informações:0800 12 14 16)




Data de Publicação do Artigo:

11 de Maio de 2006





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