Aids em odontologia Irani Zanettini - Prof. de Semiologia e Diagnóstico e Planejamento,ULBRA
- Doutorando em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial pela ULBRAUyára Miranda Zanettini - Especialista em Periodontia
A AIDS é uma doença de origem viral provocada por um retrovirus (HIV) que ataca o sistema imunológico dos pacientes produzindo imunodepressão e aparecimento de doenças oportunistas. O cirurgião-dentista desempenha papel importante no diagnóstico e tratamento de pacientes com AIDS tendo em vista que grande número das doenças nestes pacientes tem sua primeira manifestação em boca.Fazendo parte de equipes multidisciplinares ,tem entre outras atribuições promover e adequar a saúde bucal destes pacintes permitindo-lhes melhor qualidade de vida. É objetivo deste trabalho discutir o papel do CD frente a pacientes portadores do HIV com enfoque nas doenças com repercussão em boca bem como os cuidados com biossegurança para evitar a infecção cruzada.
Aids em Odontologia
INTRODUÇÃO
A Sindrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS/SIDA)
é uma infecção viral crônica,persistente e fatal em virtualmente todos os casos
,em fase epidêmica,causada pelo HIV-1 (retrovirus RNA com pelo menos oito subtipos
já identificados),que infecta principalmente linfócitos T CD4 (células que comandam
a resposta imune do organismo),levando a uma redução progressiva destes,o que
acarreta grave imunodeficiência e uma série de infecções oportunistas graves(
5).
No sistema imunológico,quando ocorre a invasão
do vírus,ele é "reconhecido"pelos linfócitos T4 que dão o alarme e chamam os
linfócitos T e B para a luta.Os do tipo T atacam diretamente os invasores e
os do tipo B atacam através de substancias quimicas,os anticorpos que se ligam
aos m.o . agressores e os destroem.Os anticorpos são especificos para cada tipo
de m.o . A sua presença no organismo indica que ele entrou em contato com um
tipo especifico de agente agressor.
Desta forma,
a pesquisa de anticorpos contra o virus HIV é realizada com base em testes sorológicos.
O virus
HIV tem um comportamento interessante,ele ataca diretamente o centro de comando
do sistema imune,os linfócitos T4 e portanto,inibe as defesas antes mesmo que
elas se organizem para o combate.Assim ,minando as defesas,o organismo fica
sucetível à infecções oportunistas.
O vírus
injeta seu RNA no linfócito e através da Transcriptase reversa,catalisa a sintese
de DNA-polimerase produzindo o DNA viral às custas do material genético do linfócito
T, que perde sua função.
Depois de
infectado o linfócito T4,este se une a outro linfócito formando uma célula gigante
que em seguida sofre lise. O HIV exerce um efeito citolitico sobre a célula
infectada após a ativação imune,sendo este o principal mecanismo envolvido na
patogenia da AIDS:depleção da célula T4 ( 2).
O HIV está
presente no sangue,sêmem,leite materno,fluido cérebro-espinhal,fluido amniótico
e nas secreções corpóreas(urina,saliva,lágrima,secreções vaginais).
Do ponto
de vista epidemiológico,há indicações que apenas o sangue,sêmem,as secreções
vaginais e leite materno são fontes de infecção do vírus(Min da saúde ).
Como fatores
de risco associados à transmissão do HIV, estão as relações sexuais com vários
parceiros sem proteção,uso de sangue e seus derivados não controlados(a chance
de receber um sangue contaminado,apesar de testado é de 1:38.000 enquanto que
recebendo sangue contaminado a chance de infecção é de 95% ),uso de seringas
não esterilizadas e a transmissão veritcal ,da mãe infectada para o feto(transplacentaria)
ou para o recém nascido,durante o parto.
O período
de incubação da doença é variável,de poucos meses à 3 anos na infecção perinatal
e de 7 a 11 anos em adolecentes e adultos e mesmo assintomático,o indivíduo
infectado é transmissor do vírus.
Para que um individuo infectado passe para a fase
de doença,alguns cofatores tem sido sugeridos como por exemplo um aumento da
carga viral por reexposição frequente ao vírus,desnutrição (má qualidade de
vida),presença de D.S.T. ,pacientes portadores de Hepatite B,usuários de drogas,promiscuidade.São
fatores que podem determinar uma diminuição do período de incubação e o aparecimento
de doenças oportunistas que caracterizam a AIDS.
DIAGNÓSTICO
1-Diagnóstico
Clinico
A suspeição
da doença recai em pacientes que apresentam entre outros,os seguintes sinais
e sintomas:hepatoesplenomegalia,linfadenomegalia,febre obscura,diarréia recidivante,candidiase
oral ou cutânea refratária,candidiase esofágica,dificuldade em ganhar peso,infecções
bacterianas repetidas,resistentes e arrastadas,parotidite,púrpura por trombocitopenia
( 5)
Estadiamento
da Infecção pelo HIV ( 1 )
Fonte:Programa Nacional de Doenças Sexualmente
Transmissíveis - Min. da Saúde -1996.
|
GRUPO
|
CLASSIFICAÇÃO
|
CLÍNICA
|
SOROLOGIA
|
| I |
Infecção aguda |
História de exposição a risco,febre alta,linfoadenopatia,mialgia,artralgia,dor
de garganta,hepatoesplenomegalia,exantema maculopapular,meningite linfocitária
com duração de 7-14dd. |
Negativa.Recomenda-se repetição após 3 meses(janela
imunológica). |
| II |
Infecção assintomática |
Ausência de sinais e sintomas |
Positiva |
| III |
Linfoadenopatia persistente
generalizada
|
Linfadenomegalia envolvendo 2 ou mais regiões
extra-inguinais com duração de pelo menos 3 meses |
Positiva |
| IV |
Doença manifesta |
A-febre,diarréia,perda de peso superior a
10% da superficie corpórea;B-Doença neurológicaC1-Pneumocysti carinii,candidiase
esofágica,histoplasmose,citomegalovirus,herpes simplesC2-Leucoplasia pilosa,herpes
zoster,tuberculose,candidiase bucalD-Neoplasias secundárias-linfomas e sarcoma
de Kaposi;E-Pneuminite intersticial crônica e outras doenças não relacionadas
às categorias anteriores |
Positiva |
Outra forma
de classificação de infecção pelo HIV foi proposta em 1994 pelo CDC (Central
Disease Control) e é baseada na intensidade da sintomatologia clinica em N;A;B;C;
sendo "N" usado para pacientes assintomáticos e A,B,C para sintomatologia leve,moderada
e severa ,respectivamente.A esta letra acrescenta-se o no. 1 se o nível de CD4
for > 25% ;dois se o CD4 estiver entre 15 e 24% e 3 se o CD4 for < 15% ( ).
2.Diagnóstico
Laboratorial
O diagnóstico
laboratorial do HIV pode ser feito através de testes que pesquisam anticorpos,
através de técnicas que detectam o antígeno ou ainda pelo isolamento do vírus.
Destes,os
testes que pesquisam os anticorpos tem sido mais utilizados pela sua senssibilidade
e especificidade.
Quando o individuo é infectado pelo HIV,surgem
anticorpos especificos contra o vírus, sendo esta uma prova indireta de sua
presença no organismo;em geral isto acontece nas primeiras 12 semanas pós infecção
( 1 ).
Há um período
entre a infecção e a detecção do vírus que se chama de "janela imunológica"
e neste período poucas provas laboratoriais identificam o vírus,exatamente pelo
fato de ser necessária a produção de anticorpos especificos.
Recentemente, Bagasra (3) aprimorou a técnica de
amplificação do DNA denominada de P.C.R. (Polimerase Chain Reaction), onde já
é possivel obter-se uma prova direta do HIV no organismo humano em até 2 dias
após a infecção(tempo necessário para a realização do teste).A técnica não identifica
anticorpos contra o vírus mas o próprio vírus.
Epidemiologicamente
no entano,utiliza-se outros testes laboratoriais para pesquisa de anticorpos
por serem de custo mais baixo e de alta sensibilidade e especificidade como
o ELISA (Enzima linked immunossorbent assay).Este exame é o mais largamente
utilizado como triagem em saúde pública por ser de baixo custo,fácil execução,facilmente
automatizado,com sensibilidade e especificidade de 98,9 % .
Outros testes
podem ser empregados como a Imunofluorecência indireta,com boa especificidade
e senssibilidade,usado para confirmação de triagem;o Western Blot também utilizado
para confirmação de resultados;Radioimunoensaio e Radioimunoprecipitação, exames
de custo elevado e comumente usados em pesquisas laboratoriais e ainda a Aglutinação
de Partticulas,barato e presta-se à triagem com boa senssibilidade e especificidade.
Uma vez
identificado um individuo soro + ,em virtude da estigmatização e das implicações
médicas e sociais, é recomendável que haja a reconfirmação dos testes em função
dos falsos + que podem ocorrer.
Confirmada
a soropositividade,deve o profissional notificar à coordenação estadual do programa
de AIDS,encaminhando o paciente para serviços de referência e atendimento clinico
.
O cirurgião-dentista
não deve recusar atendimento aos pacientes portadores do HIV,sendo que muitas
vezes já o faz sem saber pois até o próprio paciente desconhece sua situação.
Assim, todo o paciente deve ser encarado como potencialmente
portador de doenças infecto-contagiosas e usados de rotina os procedimentos
e normas de biossegurança profissional/paciente a fim de resguardar a integridade
dos envolvidos no atendimento e evitar infecção cruzada no consultório odontológico.
O risco
pode estar presente mesmo que o paciente pareça saudável devido á fase prodrômica
da doença;infecção em estágio sub-clínico;pacientes portadores do HIV assintomáticos;pacientes
que não revelam sua condição de HIV+.
Um exame
clínico adequado onde uma anamnese bem conduzida além de correto e sistemático
exame fisico avaliando extra e intra-bucalmente o paciente,podem trazer importantes
subsidios tanto ao diagnóstico como identificação de fatores de risco ao desenvolvimento
da AIDS.
De há muito
tempo sabemos que os profissionais da Odontologia tem em seu trabalho riscos
de contrair doenças infecto-contagiosas que além do ônus para sua saúde e produtividade,pode
transmitir a infecção para seus pacientes ou mesmo familiares.
Neste contexto,as
normas universais de BIOSSEGURANÇA ,que na verdade é uma filosofia de
trabalho,"onde se utilizam medidas de controle da infecção como forma eficaz
de redução do risco ocupacional e de transmissão de microorganismos nos serviços
da saúde"(1).
As Precauções
Universais incluem:
-O uso
de barreiras e equipamentos de proteção individual luvas,máscaras,óculos,aventais
e gorros.
-A prevenção
de exposição a sangue e a fluidos orgânicos,com especial ênfase à prevenção
de acidentes pérfuro-cortantes,bem como à lavagem das mãos.
-O manejo
adequado dos acidentes de trabalho que envolvam a exposição a sangue e fluidos
orgânicos.
-O manejo
adequado de procedimentos de descontaminação e do destino de dejetos e resíduos
nos serviços de saúde.
O risco
estimado de infecção pelo HIV ,decorrentes de acidentes de trabalho envolvendo
contato com sangue e fluidos orgânicos é de 0,5 % em média,variando conforme
o tipo de exposição:percutânea (pérfuro-cortantes) ou ou em pele e mucosas integras.
Embora o forte apelo da mídia com relação a AIDS,em
termos de transmissibilidade o HIV ,se comparado ao vírus da Hepatite B, é um
vírus muito lábil que é inativado a 56,4 º C .Assim ,o vírus da hepatite B funcionaria
como referência ou seja,quando sua inativação é alcançada todos os outros microorganismos
também o foram.
MANIFESTAÇÕES
BUCAIS (1)
Muitas das manifestações da AIDS ocorrem primeiramente
na boca ; deve o profissional da Odontologia estar preparado para identificá-las
e fazendo parte de uma equipe multidisciplinar,tratar o paciente.Tem o CD papél
muito importante no tratamento destes doentes pois é necessário adequar suas
condições de saúde bucal melhorando a eficiência mastigatória,contribuindo para
uma melhor nutrição destes pacientes.
Candidíase:
Louzada
e col ( 12 ) verificaram que 41 % dos pacientes com AIDS apresentam Candidíase
no estágio inicial da doença,sendo um importante indicador de comprometimento
imunológico.Pode aparecer de várias formas,sendo a mais frequente a eritematosa,observada
como pontos avermelhados ,localizados principalmente em palato,mucosa jugal
e também na língua.Outras formas como a pseudomembranosa e a queilite angular
(comissurite) podem ser observadas,sendo bastante comum o aparecimento de mais
de uma forma de Candidíase ao mesmo tempo.
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais
como o micológico(esfregaço em agar Sabourraud) ou por biópsia da lesão.O uso
de antifúngicos de uso local (Nistatina)e sistêmico(Ketoconazol;fluconazol)
são o tratamento de escolha ,sempre associado a melhora das condições de higiene
bucal do paciente.
Infecções
Virais:
Atualmente
sabe-se que a co-infecção viral pode levar a um efeito sinérgico para ambos
os vírus.A maioria das infecções oportunistas nos pacientes HIV + são do grupo
do Herpes.Episódios de Herpes prolongado requerem investigação.
a)Herpes
Simples:Há 2 tipos:Tipo I que são lesões bucais e tipo II que são lesões genitais
e no ânus.Estas lesões podem vir acompanhadas de febre,cansaço,linfoadenopatia
e dores musculares,semelhantes a um estado gripal.
As lesões
do Herpes aparecem clinicamente como vesículas que coalescem formando úlceras
muito sensíveis e são mais severas e duradouras nos indivíduos infectados pelo
HIV.O diagnóstico se faz por exames laboratoriais (citologia e biópsia) das
lesões associando provas sorológicas para soropositividade do HIV.
A infecção
herpética em pacientes imunodeprimidos sofre reativações mais frequentes,formando
lesões maiores e de maior duração ( min.saúde ).
As infecções
por Herpes podem ser tratadas mas o vírus não é eliminado,permanescendo latente
até ser reativado.O tratamento é feito com aciclovir ou seus derivados,velaciclovir
ou fanciclovir.
b)Leucoplasia
Pilosa:São lesões que aparecem em bordos laterais de língua em forma de placas
brancas e rugosas e são assintomáticas.Estão associadas ao vírus Epstein - Barr
,sendo o diagnóstico clinico e por biópsia da lesão.Há que se fazer diagnóstico
diferencial com outras lesões brancas como líquem plano,candidíase,leucoplasia
ou lesões traumáticas.
c)Herpes
Zoster:A primo-infecção pelo vírus varicela-zoster (VHZ) é a varicela.Uma vez
infectado o vírus mantem-se latente nas bainhas dos nervos.Em pacientes imunodeprimidos
ocorre a replicação do vírus com o aparecimento do Herpes Zoster.O diagnóstico
também é clinico e laboratorial, sendo as lesões bucais vesiculares em palato
e costumam acompanhar o trajeto de um nervo sensitivo o que traz muito desconforto
ao paciente.
d)Papiloma (HPV):São lesões que estão exacerbadas
nos pacientes imunodeprimidos;clinicamente são lesões verrucóides podendo apresentar-se
papilares,sésseis ou pediculadas.É uma lesão sexualmente transmitida e pode
aparecer em mucosa bucal na forma de Condiloma.
Infecções
Bacterianas:
a)Gengivite
associada ao HIV: Caracteriza-se por severo eritema da gengiva marginal.Sangramento
gengival à sondagem na ausência de fatores locais está associado a trombocitopenia
causada pela destruição de plaquetas por anticorpos do próprio paciente.
b)Periodontite associada com necrose: Ocorre um
quadro clinico extremamente agudo com exposição do tecido ósseo ,podendo ocorrer
até sequestros do mesmo.Não respondem da mesma maneira ao tratamento periodontal
convencional sendo necessário controle quimico de placa e medicação sistêmica.
Tumores
Malignos:
a)Sarcoma
de Kaposi:É o mais comum dos TU associado a pacientes com AIDS.Mais comum no
sexo masculino (20/1),aparecem clinicamente como lesões de coloração avermelhadas
ou arroxeadas na pele,mucosas,gânglios e orgãos internos.São lesões normalmente
assintomáticas e devem ser diagnosticadas por biópsia.
O tratamento
pode ser cirúrgico,radioterápico e pela injeção de vimblastina ou interferon
diretamente na lesão.Alguns casos podem necessitar de tratamento quimioterápico,sendo
empregado o esquema ABV (adrimicina,bleomicina e vincristina).Um tratamento
experimental para as lesões de pele, tendo por base o àcido retinóico ,está
sendo testado .
b)Linfomas:
Representam a 2a. neoplasia em incidência nos pacientes com AIDS , ocorrem principalmente
nas gengivas . Como via de regra os pacientes apresentam saúde bucal precária,com
dentes em mau estado,esta lesão pode ser confundida com abcesso dento-alveolar
ou mesmo com doença periodontal.O diagnóstico é estabelecido por biósia da lesão
e o tratamento é feito com poliquimioterapia (esquema ABV).
c)Carcinoma Epidermóide: São lesões que podem aparecer
em indivíduos com AIDS e tem como caracteristica clinica acometer pacientes
fora da faixa etária tradicional (acima dos 40 anos) .O diagnóstico é estabelecido
por biópsia e o tratamento cirúrgico e ou radioterápico.
TRATAMENTO
DOS PACIENTES COM AIDS:
O tratamento
dos pacientes com HIV/AIDS deve levar em consideração todo o arsenal terapêutico
disponível ,mas também o conjunto de cuidados como a profilaxia das doenças
oportunistas,o apoio psicológico e social,os cuidados com o paciente terminal,a
atenção e orientação aos toxicômanos e programas para reduzir e evitar práticas
de risco à infecção pelo HIV .
A protease
é uma enzima que o HIV necessita para completar o seu processo de replicação
(autocópia) dando origem a novos vírus capazes de infectar novas células.
Os inibidores
de protease (IP) ,não eliminam completamente o HIV do organismo ,mas podem reduzir
sua quantidade em até 99 % ,ainda que alguns possam ficar latentes nas células
infectadas.Ao produzir novos vírus defeituosos,se conseguiria menor velocidade
de propagação do HIV o que oportunizaria ao sistema imune melhores condições
de defesa aumentando a sobrevida destes pacientes.
Até o momento,os
IP conhecidos (saquinovir;ritonavir;indinavir;nelfinavir) tem menos efeitos
colaterais e são menos tóxicos que os inibidores da transcriptase reversa (AZT).
Os IP tem
como vantagens:
1.Reduzir
a quantidade de HIV no sangue;
2.Aumentar o número de linfócitos CD4;
3.Prolongar o aparecimento de doenças oportunistas;
4.Prolongar a sobrevida dos pacientes.
Como desvantagem:
Não são
bem conhecidos os efeitos a longo prazo destes medicamentos.Em seu processo
de replicação os vírus "defeituosos" podem criar cópias resistentes (resistência
cruzada) aos medicamentos atuais.
Na atualidade
há consenso de que a associação de 2 ou mais medicamentos antirretrovirais é
superior ao emprego de um só (monoterapia) ( ).
Porém os
estudos não demonstram claramente qual a associação mais eficaz.Nesta linha,vários
estudos tem trabalhado com "coquetéis"empregando associação de IP com inibidores
da transcriptase reversa.
Entretanto,ao que parece não é possivel estabelecer
claramente uma regra para todos os pacientes pois cada caso deve ser avaliado
individualmente conforme a evolução dos marcadores de progressão da doença,especialmente
a carga viral e a quantidade de linfócitos CD4+ .
COLCLUSÃO
A Sindrome
da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS) ,foi reconhecida pela primeira vez
em 1981 entre homosexuais nos EUA.O vírus HIV ,causador da AIDS ,foi identificado
em 1983.Desde o inicio da epidemia,30 milhões de pessoas já foram infectadas
,e cerca de 7 milhões já morreram em decorrência dela (13).
Aproximadamente
42% das pesoas infectadas são mulheres e este número vem aumentando significativamente
,sendo que a maioria dos recém-infectados tem idade inferior a 25 anos.
São conhecidos
os HIV tipos 1 e 2 com cerca de 8 subtipos geneticamente diferentes,sendo que
no momento a importância destas caracteristicas biológica e epidemiológica não
está clara. Tanto o tipo 1 como o 2 se transmitem da mesma maneira (sangue,sêmem,secreções
vaginais,leite materno).
A AIDS é
a última fase da infecção pelo HIV e se caracteriza por uma grave debilidade
do sistema imunológico que é incapaz de deter infecções oportunistas e cânceres.
Neste contexto
,tem o Cirurgião-Dentista um papél importante no diagnóstico das manifestações
bucais destas doenças ,bem como o de proporcionar a estes pacientes melhor qualidade
de vida no que tange a saúde bucal.
É dever
do Cirurgião-dentista zelar pela saúde de seus pacientes bem como assisti-los
em suas necessidades não sendo ético negar-lhe atendimento. O Código de Ética
do CFO (1991) diz em seu Art. 2o. :"A Odontologia é uma profissão que se exerce
em beneficio da saúde do ser humano e da coletividade ,sem discriminação de
qualquer forma ou pretexto".
Entretanto,deve
o profissional resguardar sua integridade e de sua equipe observando para todos
os pacientes ,indistintamente, normas de proteção e biosegurança,afinal TODO
O PACIENTE PODE SER PORTADOR DE DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS .
Bilhões
de dólares são gastos em pesquisa e desenvolvimento de drogas para tratamento
da AIDS.A vacina por enquanto é uma promessa .As drogas utilizadas no momento
como as inibidoras da protease (IP ) e transcriptase reversa tem como objetivo
reduzir a carga viral ,retardando o aparecimento de doenças oportunistas e aumentando
a sobrevida dos pacientes.
É importante lembrar que diante da fatalidade da
doença é importante tratar estes pacientes o mais precocemente possível,mas
é igualmente importante que estas pessoas tenham apoio psicológico de todos
que as cercam e que a sociedade cumpra seu papél integrando o individuo sem
qualquer discriminação pela sua condição.
Referências
Bibliográficas
1.Brasil.Ministério
da Saúde.Secretaria de Assistência à Saúde.Programa Nacional de Doenças Sexualmente
Transmissíveis/AIDS. Hepatite,AIDS e Herpes na prática Odontológica.Brasilia,1996.
2.TOMASI,
A .F. ,Diagnóstico em Patologia Bucal. Pancast Editorial,1989 2a.ed.215-27.
3.Nova Técnica
permite detectar o vírus da AIDS dentro de uma célula-Revista Ciência Hoje,
M.G ,1996.
4.ABIA (Associação
Brasileira Interdisciplinar de AIDS).
5.Home-Page
Reinaldo G. de Oliveira (http://12.com.br/~reynaldo/bluebook/htm).
6.AIDS-1
Textos e documentos (www.medicmail.com/aids/html).
7.CNLCS-o
que é SIDA (www.despodata.pt/cnlcs/sida.htm#oq-sida).
8.Boletin
Epidemiológico Min. Da Saúde -Programa Nacional de Doenças Sexualmente transmissíveis/AIDS.
Ano IX No. 05-Brasil dez a fev 96/97.
9.ZANETTINI,I.
AIDS em Odontologia, Odonto Alternativo ,1992; 1:3 .
10.Center
for Disease Control and Prevenction(CDC). Pratical Infections Control in the
Dental Office, 1993.
11.EVERSOLE,L.R.
Viral infections of the head and neck among HIV seropositives pacients. Oral
surg Oral med Oral Pathol, 1992; 73(2):155-163.
12. LOUZADA,F.
et ali. Oral manifestation of tumor and oportunistics infection in the AIDS:Findings
in 53 homosexual men with Kaposi's Sarcoma. Oral Surg. 1983; 56:491-494.
13.VIH /SIDA
:La epidemia mundial -Diciembre 1996 -ONUSIDA Y OMS.
Data de Publicação do Artigo:22 de Abril de 2002
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