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1 de agosto de 2010

Medcenter
:: CLÍNICA ODONTOLÓGICA E SEMIOLOGIA:: Artigo



O controle de infecção na Odontologia - Guia prático e avaliação

Gustavo Kreuzig Bastos  ( gustavo.bastos@odontologia.com.br )
- Especialista em Odontopediatria pela UFRJ


Apesar do comprovado risco de contágio da hepatite B, HIV, herpes e tuberculose entre outras doenças, os dentistas em geral ainda não tem se mostrado eficazes e eficiêntes no controle de infecção antes, durante e após atendimento. É objetivo deste trabalho relatar as técnicas hoje disponíveis para evitar a infecção cruzada no consultório, protegendo assim não só dentista, como também seus auxiliares, pacientes e familiares. Ao final do trabalho, em anexo, é proposta uma pequena avaliação dos conhecimentos do dentista e sua equipe a respeito do tema.
O Controle de infecção na Odontologia: Guia prático e avaliação

 

1. Introdução

O controle de infecção e a biosegurança são temas de grande importância para a prática odontológica, e vêm despertando nos últimos anos maior interesse em virtude principalmente do avanço da epidemia AIDS. Os profissionais de saúde se encontram em um conflito no que diz respeito a preocupação em suprir as necessidades de seus pacientes e, por outro lado, a preocupação em não se contaminar pelos mesmos. Somado a este dilema existe ainda o risco de infecção pela hepatite B, a mais preocupante das doenças infecto-contagiosas entre os profissionais de saúde. A infeçção pelo HBV pode levar ao desenvolvimento de enfermidades gravíssimas e muitas vezes até a morte. Aproximadamente 18.000 profissionais são infectados pelo vírus todos os anos somente nos EUA. De acordo com o CDC-USA a infecção pelo HBV resulta em um total de 600 internações e 200 mortes de profissionais ligados à área de saúde todos os anos18.

Em estudos recentes percebe-se que existe pouco domínio do assunto por parte da comunidade acadêmica do Brasil e de outros países 6,12,14,17.FERREIRA5 relata, que pacientes infectados pelo HIV ou HBV estão associados à uma menor disposição de tratamento por alunos de graduação da UFRJ. 

Em recente pesquisa com dentistas de serviços público e privado da Suécia foi avaliada a utilização de luvas durante o tratamento odontológico. Os resultados mostraram que 76% dos dentistas de serviço público e 29% dos de serviço privado usavam luvas regularmente para todos os pacientes8. Em outra pesquisa realizada nos EUA, 95,3% dos dentistas disseram ter alterado algum aspecto de suas medidas de controle de infecção nos últimos anos. Do total, 85,9% usavam luvas rotineiramente, 77,9% óculos de proteção e 45,6% máscaras3.

Em estudos desenvolvidos junto a pacientes na Inglaterra e no Texas, EUA, mostrou-se que existe aceitação pelos pacientes das práticas de controle de infecção do local de atendimento, qualquer que sejam estas. Demonstrou-se também que durante o tratamento, após a primeira consulta, a utilização de máscara e luvas diminuiu1,9,10.

Percebe-se hoje em dia um grande interesse com relação ao controle de infeção por parte dos dentistas e demais profissionais da área de saúde. Centenas de trabalhos são apresentados a cada ano em diferentes congressos, jornais, revistas e livros. Apesar de serem enormes as fontes de informação, e talvez por razão disto, persistem ainda muitas dúvidas e preocupações a respeito da correta aplicação das medidas de controle de infecção na clínica. É de fundamental importância ampla campanha de esclarecimento junto aos profissionais e estudantes de modo a melhorar conhecimentos, atitudes e procedimentos de controle de infecção2,3,4,5,7,11,13,14,15,16.

2. Princípios e Fundamentos do Controle de Infecção

O controle de infecção é baseado em princípios e barreiras que impedirão a contaminação dos pacientes e dos profissionais de saúde. Apesar de ser simples, criar um rotina de controle de infecção envolverá toda a equipe participante do atendimento do paciente, principalmente no que diz respeito ao conhecimento das normas a serem seguidas. O conhecimento dos princípios e fundamentos a respeito do controle de infecção são de fundamental importância no momento de tomar decisões no consultório dentário18.

O Processo de Contaminação

A maneira pela qual ocorre a contaminação de uma pessoa para outra é chamada de processo de contaminação. Este processo envolve a existência de três componentes:

1.          o agente

2.          o hospedeiro

3.          o meio de transmissão

Todos os três componentes são fundamentais para existir a contaminação de uma pessoa para outra. Quando algum destes não está presente a cadeia é quebrada e a possibilidade de infecção é eliminada

O Agente

É qualquer microorganismo capaz de causar uma infecção. Estes microorganismos são chamados de patógenos. Agentes patógenos são vírus, bactérias, fungos e protozoários. Existem agentes patógenos que somente sobrevivem em sangue, como o HBV (Hepatite B) e HIV (AIDS). Os agentes que causam maior preocupação aos dentistas são aqueles que vivem em sangue.

Hospedeiro

É qualquer indivíduo que não apresenta resistência a determinado patógeno. São muitos os fatores que influenciam na maior ou menor susceptibilidade de um hospedeiro, tais como: hereditariedade, estado nutricional, uso de medicamentos e imunização entre outros. Por exemplo, um indivíduo com nutrição inadequada pode ser mais susceptivel ao desenvolvimento de determinada infecção que outro com nutrição adequada. Medicamentos como esteróides ou quimioterapia podem aumentar a susceptibilidade ao desenvolvimento de doenças. O estado de imunização de um indivíduo também é importante. Indivíduos imunizados para poliomielite, sarampo, hepatite B podem eliminar qualquer chance de infecção.

Meio de Transmissão

É aquele pelo qual 1 agente é transmitido a um hospedeiro. A maioria dos agentes são transmititos por contato, inalação ou através de um veículo tal como alimentos ou água

A transmissão por contato é aquela que acontece por meio de contato direto, tal como o sangue em contato com uma ferida, ou por contato indireto através de algum objeto intermediário que esteja contaminado.

Existe também a contaminação através de goticulas produzidas em espirros, tosse ou em procedimentos odontológicos.

Nos casos de transmissão pelo ar, os microorganismos ficam suspensos no ar por longos períodos de tempo podendo assim serem inalados. Os vírus que vivem em sangue como o HBV e HIV não são transmitidos pelo ar. A tuberculose e o sarampo são exemplos de doenças que podem ser transmitidas pelo ar.

Quando da transmissão por um veículo, algo contaminado (água, alimento ou sangue) transfere o agente patógeno a outro indivíduo. O sangue é o agente de transmissão relevante para o HIV e HBV. Um mililitro de sangue contaminado contém aproximadamente 100.000.000 de HBVs e 100 HIVs. O HBV também pode ser transmitido pela saliva. Até o momento não existe estudo epidemiológico consistente que prove a transmissão do HIV pela saliva. Entretanto, como a saliva é constantemente contaminada por sangue durante procedimentos odontológicos, é prudente tomar todas as precauções para minimizar qualquer contato com saliva contaminada18.

Exposição à Microorganismos Patógenos

A exposição à saliva e sangue pode ocorrer de diversas maneiras:

1.          exposição parenteral (ocorre como resultado de perfuração da pele por agulhas e instrumentos cortantes)

2.          contato com mucosas

3.          contato com feridas e abrasões da pele

Estudos epidemiológicos mostram que a exposição parenteral é a de maior risco no que diz respeito à infecão. A transmissão do HBV e HIV após exposição parenteral já foi relatada na literatura. Baseado em estudos com profissionais da área de saúde, o risco de contaminação pelo HBV após perfuração por agulha contaminada varia de 6% a 30%. Em circunstâncias semelhantes o risco para o HIV é menor que 1%.

Nem toda exposição resulta em infecção. O risco de transmissão do HBV e HIV assim como outros patógenos é influenciado por diversos fatores, incluindo:

1.          tipo de exposição

2.          dose do vírus transferido durante exposição

3.          diferenças de susceptibilidade entre hospedeiros

4.          diferenças e variações no processo de infecção no indivíduo contaminado

5.          númeor de exposições

O objetivo dos procedimentos de controle de infecção é o de eliminar a transferência de microorganismos. Isto é obtido através de diversas maneiras:

1.          uso de equipamento de proteção individual

2.          imunizações

3.          desinfecção e esterilização de superficies e equipamentos.

Imunizações

A hepatite B significa o maior dos riscos à saúde do pessoal envolvido na área de saúde, em especial ao dentista e sua equipe. Estudos do CDC – EUA mostram que 24% de cirurgiões, 17% de protesistas , 16% de clínicos gerais e 13% do pessoal auxiliar estão contaminados pelo HBV. Devido ao grande risco de contaminação pelo HBV é extremamante indicado a imunização contra este vírus. Existem dois tipos de vacinas no mercado: A primeira desenvolvida em 1982, deriva do plasma do vírus. A segunda desenvolvida em 1986, é um recombinante de DNA. Ambas são consideradas seguras e não mostram efeitos colaterais significativos.

Da mesma forma, imunização para sarampo, rubéula, tétano, poliomielite e caxumba também são recomendadas se o profissional ou equipe nunca desenvolveu nenhuma das anteriores.

Apesar das vacinas desempenharem importante papel no processo de controle de infecção não podemos esquecer que existem moléstias para as quais não existe ainda uma forma de imunização como o HIV e Hepatite B18.

História Médica Passada e Medidas Universais de Controle de Infecção

A história médica passada é de extrema importância para todos os casos que se faz necessário pré-medicação, assim como auxiliar de diagnóstico e plano de tratamento. Entretanto, não se pode confiar plenamente nas informações colhidas junto ao paciente, haja vista que muitas vezes este não sabe ou não informa sua atual condição de saúde.

Testes laboratoriais também não são eficientes em todos os casos, pois para algumas infecções existe um espaço de tempo que pode chegar até a algumas semanas, onde sinais de infecção não são identificados.

Pelo fato de não podermos identificar todos os pacientes contaminados através de exames físicos ou laboratoriais, o sangue de todos os pacientes tratados no consultório odontológico deve ser considerado infectado. Como resultado, todas as medidas de controle de infecção devem ser aplicadas da mesma forma e com mesma intensidade para todos os pacientes. A este procedimento dá se o nome de medidas universais de controle de infecção18.

Lavar as Mãos

Lavar as mãos é o procedimento mais importante para impedir a transmissão de microorganismos de uma pessoa para outra. Toda equipe odontológica deve lavar suas mãos no começo do dia de trabalho duas vezes consecutivas com água e sabão por 15 segundos. Durante o dia as mãos devem ser lavadas entre os pacientes, antes e depois das refeições e em todas as situações em que possa haver contaminação.

As mãos também devem ser lavadas antes e depois do uso de luvas. Apesar da alta qualidade das luvas de hoje, devemos sempre contar com microperfurações causadas durante os procedimentos odontológicos ou defeitos de fábrica. Quando as luvas se rasgam durante qualquer procedimento, as mão devem ser lavadas antes da colocação de novas.

Ao final do dia de trabalho as mãos devem ser bem lavadas para evitar o transporte de microorganismos para outros ambientes. 

Quando de procedimentos cirúrgicos as mãos, braços e cotovelos devem ser escovados utilizando-se sabonete antimicrobiano por 5 minutos. Após a lavagem as mãos devem ser secas em papel descartável estéril.

Os sabonetes líquidos são preferíveis pois ao contrário dos sabonetes em barras dificilmente são contaminados. Especial atenção deve ser dada ao dispositivo que libera o sabão de seu frasco. Este deve ser ativado pelos braços ou pedais.

É muito importante conhecer a qualidade da flora microbiana das mãos. Existe a flora residente, que vive e se multiplica na pele e a transitória, composta de microorganismos transitórios e recentes que sobrevivem na pele por pouco tempo. A flora transitória pode muitas vezes conter patógenos tais como o HBV muitas vezes adquirido de pacientes contaminados. A maioria dos microorganismos da flora residente não é muito nociva e não implica em infecções diferentes daquelas da pele. Entretanto, algumas vezes estes podem causar infecções mais sérias, principalmente em pacientes que sofreram intervenções cirúrgicas onde um solução de continuidade é estabelecida ou em pacientes imunosuprimidos. 

A lavagem das mãos por 15 segundos parece ser efetiva na remoção dos microorganismos da flora residente e transitória das camadas mais superficiais da pele. Para uma lavagem mais efetiva, sabonetes germicidas mais potentes devem ser utilizados18.

Luvas

Luvas devem ser utilizadas sempre que houver contato com sangue, saliva, mucosas ou objetos contaminados pelos anteriores. Existe risco para dentistas e pacientes quando luvas não são vestidas. Mãos sem luvas devem ser o caminho pelo qual muitos dentistas se contaminaram pelo HBV nos últimos anos. A transmissão do dentista para o paciente também já foi documentada, tanto para o HBV como para o vírus do herpes.

Diferentes luvas devem ser utilizads para os diferentes procedimentos. Existem três categorias de luvas:

Luvas de látex (estéreis ou não estéreis)

Luvas de vinil (estéreis ou não estéreis)

Luvas de procedimento/lavagem

De maneira geral não existem diferenças entre as luvas de látex ou de vinil no que diz respeito à proteção oferecida. Muitas vezes servem como uma alternativa para aqueles profissionais alérgicos ao látex ou vinil. Luvas estéreis são recomendadas para procedimentos cirúrgicos. Luvas não estéreis podem ser utilizadas durante os demais procedimentos odontológicos.

As luvas devem sempre ser trocadas entre pacientes, nunca podendo ser lavadas ou reutilizadas.

As luvas de procedimento/lavagem são em geral mais grossas e são utilizadas para lavar instrumentos e na desinfecção de objetos contaminados. Ao contrário das luvas para atendimento, as luvas de procedimento podem ser lavadas e reutilizadas, devendo ser trocadas quando começarem a ficar gastas.

Máscaras

Devem ser utilizadas para proteger a mucosa da boca e nariz contra goticulas de saliva ou sangue produzidas pelas turbinas durante o tratamento odontológico. Muitos estudos mostram que as gotículas produzidas pelos motores contém diversos microorganismos. Os profissionais envolvidos devem identificar quais os procedimentos que causam estas gotículas para se protegerem adequadamente.

Quando usar máscars:

1.          Ajuste a firmemente sobre a face

2.          Troque-a entre pacientes

3.          Remova-a assim que terminar o procedimento. Não deixe-a pendurada no pescoço.

4.          Quando removê-la, pegue pelos elasticos ou “cordinhas”. Nunca pegue a máscara pelo lado contaminado

Óculos de Proteção

Devem ser utilizados para proteger a mucosa dos olhos contra saliva, sangue e qualquer resíduos. A contaminação por HBV ou hérpes é documentadas e deve ser levada a sério. O tipo de proteção deve corresponder ao procedimento feito. Quando da remoção de restaurações por exemplo, óculos de proteção mais resistentes devem ser utilizados.

Vestimentas

Jalecos ou vestimentas apropriadas devem ser utilizadas para proteger de sangue, saliva e detritos. Da mesma forma que máscara e óculos de proteção, o tipo de vestimenta dependerá do procedimento praticado. As vestimentas consideradas ideais são aquelas que protegem os braços por inteiro, assim como o pescoço.

Apesar de não estar envolvida no processo de transmissão ou infecção cruzada, as vestimentas devem ser trocadas sempre que contaminadas por sangue ou saliva. Por motivos óbvios é preferível a utilização de vestimentas descartáveis18.

3. Procedimentos Clínicos

O Controle de Infecção Durante o Período pré Operatório

 O controle da infecção deve começar durante o período de preparação para o tratamento clínico com o objetivo de reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos durante o tratamento dentário.

Procedimentos:

1.          Remova itens desnecessários ao procedimento clínico. A sala deve ser arrumada de modo a facilitar a limpeza após cada atendimento e isso pode ser conseguido reduzindo-se o número de itens que podem tornar-se contaminados.

2.           Planeje préviamente os materiais necessários durante o tratamento visando minimizar a entradade e saída das salas, busca de mais itens e troca e luvas.

3.          Utilize itens descartáveis se possível, isso faz ganhar tempo durante a limpeza e descontaminação.

4.          Use bandejas previamente preparadas evitando buscar itens cada vez que se começa um procedimento. 

5.          Use brocas esterilizadas e individualizadas para cada procedimento, eliminando assim a colocação de brocas desnecessárias, ajudando a eliminar a contaminação e tornando mais fácil a limpeza.

6.          Se indicado, tenha lençol de borracha sobre a bandeja, bem como todos os itens necessários a sua rápida colocação.

7.          Identifique os itens que se tornarão contaminados durante o tratamento, decidindo assim se será usada uma barreira para prevenir a contaminação das superfícies dos itens, ou se estes serão desinfetados após o procedimento.

8.          Coloque as radiografias de maneira visível e faça a revisão das anotações antes do início da tratamento. As anotações devem ser colocadas fora da sala operatória para não se tornarem contaminadas. Alguma anotação a mais deve ser feita antes da colocação das luvas ou após a remoção das mesmas e com as mãos bem lavadas.

9.          Siga as recomendações do fabricante com relação às mangueiras porque bacterias podem proliferar ou se acumular nelas.Embora haja risco de infecção com as mangueiras a magnitude deste risco ainda não é atualmente conhecida.

10.      Prepae o pessoal envolvido no cuidado com o paciente, isto inclui a utilização de equipamento para proteção individual

Controle de Infecção durante o Tratamento

As informações sugeridas até agora ajudarão a reduzir o risco de infecção cruzada durante os procedimentos. Entretanto, estas são apenas o começo do processo de controle de infecção. Durante tratamento, existem atitudes adicionais que devem ser seguidas para tornar o procedimento mais seguro e reduzir o risco de infecção.

Procedimentos:

1.          Tenha cuidado ao receber, manipular ou passar instrumentos pontiagudos. Muitos instrumentos podem facilmente perfurrar luvas e pele. A técnica apropriada consiste em não manter a ponta direcionada para o profissional e equipe.

2.          Mantenha precauções especiais com seringas e agulhas. As agulhas são as maiores causadoras de infecção. Elas não devem ser reutilizadas, curvadas, quebradas ou de qualquer outro modo manipuladas pelas mãos. Mantenha a agulha encapada após a sua utilização nunca colocando-a na direção do profissional e equipe.

3.          Use o lençol de borracha sempre que possível para evitar respingos de sangue e saliva.

4.          Evite tocar interruptores desprotegidos, peças de mão e outros equipamentos quando as luvas estiverem contaminadas.

5.          Evite mexer em gavetas ou arquivos quando as luvas estiverem contaminadas.

Controle de Infecção durante o Período pós Operatório

O processo de controle de infecção continua depois que o paciente é dispensado. Apesar da existência de procedimentos pré-clínicos, existem certos passos que devem ser seguidos após o término do tratamento.

Procedimentos:

1.          Continue usando o equipamento de proteção individual durante a limpeza. Terminado com o paciente,  remova as luvas, lave bem as mãos e use um par de luvas grossas antes de começar a limpeza.

2.          Remova todas as barreiras de proteção, incluindo as coberturas dos interruptores, pontas protetoras de seringa tríplice etc. e colocque-as em caixas imperveáveis e jogue-as em lixo adequado.

3.          Dispense sangue e fluidos succionados que foram acumulados durante o tratamento, para saneamento específico. Havendo a coleta através de recipiente, este deve ser desinfetado com uma solução de hipoclorito de sódio 1/100 durante 10min. e depois exaguado.

4.          Limpe e desinfete todos os itens não protegidos por barreiras, como superfícies e equipamentos.

5.          Remova a bandeja com todos os instrumentos para uma área de limpeza e esterilização separada da sala operatória.

6.          Esterilize peças de mão entre pacientes, se possível. Já existem no mercado canetas autoclavaveis.

7.          Manipule itens perfuro-cortantes usando luvas grossas, evitando se perfurar com as pontas ativas, mantendo a mão longe de instrumentos rotatórios, colocando agulhas apropriadamente, não fazendo movimentos bruscos e usando a técnica adequada de passar estes instrumentos para outras pessoas.

8.          Remova equipamento de proteção pessoal

4. Esterilização e Desinfecção

Descontaminação é o princípio básico para tornar seguro o uso do instrumental no ambiente odontológico. A limpeza, esterilização e desinfecção são processos de descontaminação que diferem entre sí quanto ao número e tipo de microorganismos que são mortos. Abaixo descreveremos cada um destes processos19.

Banho de Desinfecção ou pré Limpeza

Tem como objetivo evitar a secagem dos flúidos corpóreos aderidos ao instrumental, iniciar a dissolução ou amolecimento dos resíduos organicos e a destruição microbiana. Após a sua utilização, o instrumental deve ser imerso em desinfetante do tipo formaldeído, glutaraldeído ou fenol durante 30 minutos19.

Limpeza

O processo de limpeza remove o material orgânico, como sangue e saliva acumulados, que se presentes nos instrumentos, prolongam o tempo necessário para a esterilização, podendo até mesmo inviabilizá-la, isolando os microorgansmos do agente esterilizante.

A escovação manual é o método mais simples e barato, utilizando-se uma solução com detergente. O ultra-som proporciona a mais segura limpeza. Durante a limpeza, visando proteger as mãos contra eventuais lesões, devem ser utilizadas luvas grossas de borracha20.

Esterilização

É o método pelo qual todas as formas de microorganismos são destruidas. A conduta básica para o controle de infecção é: “Não desinfetar quando se pode esterilizar”20

Os métodos disponíveis de esterilização no consultório são:

1. Vapor d'água sob pressão (autoclave)

Para sua utilização é recomendada a pressão de 1 atm a uma temperatura de 121oC, durante 20 minutos. Os instrumentos podem ser empacotados em papel, tecido ou recipientes específicos, e o aparelho não deve ser sobrecarregado com material19.

2. Calor seco prolongado (forno/estufa)

A relação a ser utilizada entre tempo e a temperatura é variável, sendo recomendada a temperatura de 160oC durante 120 minutos, ou 170oC durante 90 minutos; temperaturas acima de 180oC não são recomendadas pela possibilidade de causar alterações nas ligas metálicas, principalmente nos pontos de solda.

O aparelho não deve ser sobrecarregado com material para que o calor circule adequadamente. O termostato deve alcançar a temperatura correta, então o material é colocado e quando a temperatura estiver estabilizada o tempo é contado. Se a porta da estufa for aberta durante o ciclo, volta-se a contar o tempo. Os instrumentos podem ser empacotados em papel ou caixas metálicas19.

3. Líquidos esterilizantes

Os itens que não podem ser repetidamente submetidos ao processo de esterilização pelo calor e que não são descartáveis, tem no glutaraldeído a 2% ou a 3,2% a melhor alternativa como esterilizante, devendo o instrumento permanecer em contato com o produto por 10 horas, e durante 30 minutos quando o objetivo for a desinfecção. Antes do uso, o instrumento deve ser lavado para remoção do desinfetante, em água destilida estéril ou álcool19.

Ao esterilizar qualquer instrumental, deve se lembrar que:

Todo material estéril deve ser manipulado com pinça cujas pontas ativas devem permanecer mergulhadas em solução esterilizante, que deve ser renovada frequentemente. 

Os métodos de esterilização pelo calor (seco ou húmido) são preferíveis. 

Testes químicos devem ser realizados para comprovar a efetividade do processo.

Instrumentos estéreis não devem ser guardados em gavetas sem estarem devidamente empacotados

Bandejas necessitam ser submetidas à esterilização e trocadas a cada paciente atendido.

Desinfecção

É a destruição da maioria dos microorganismos, mas não necessariamente todos, especialmente os esporos bacterianos. Corresponde apenas à destruição das formas patogênicas. Existem três níveis de desinfecção20:

1.          Baixo: Proporciona a menor atividade microbiana sendo portanto o menos efetivo dos processos de desinfecção.

2.          Intermediário: É o processo que destroi mycobacterium tuberculosis. Inativa também o vírus da Hepatite B e AIDS.

3.          Alto: É o processo que destroi alguns esporos bacterianos. Algumas destas substâncias podem até fazer esterilização se o tempo de imersão for prolongado.

De acordo com o uso, os desinfetantes podem ser subdivididos em:

De superfície

Para tratar armários, prateleiras, equipo etc. É realizado por meio de um spray ou pela fricção da solução na superfície19. São eles:

1. Compostos Clorados

Hipoclorito de sódio de 0,05% a 0,5%. É bactericida, viruscida e tuberculicida. Por ser instável deve ser preparado diariamente. É corrosivo para metais, irrita a pele e desroi tecidos. Faz desinfecção em 10 minutos.

2. Iodóforos

O mais conhecido é o PVPI associado com polivinil-pirrolidona (PVP). São bactericidas, tuberculicidas e viruscida. Desinfetam em 10 minutos. Podem ser usados em mucosas e como antiséptico para as mãos. São excelentes agentes de limpeza e desinfecção apresentando também efeito residual.

3. Compostos Fenólicos

São soluções contendo dois ou mais agentes fenólicos. São tuberculicidas e fazem a desinfecção em 10 minutos. Podem penetrar na pele intacta causando dano tecidual local, devendo ser utilizado com luvas.

De imersão

Utilizados para imersão de instrumentos, materiais plásticos etc. Os itens a serem desinfetados ou esterilizados devem permanecer submersos pelo tempo indicado para cada processo. 

1. Glutaraldeído a 2%

Faz desinfecção em 30 minutos com atividade bactericida, viruscida e tuberculicida. Pode causar irritação tecidual grave, devendo ser manipulado com luvas.

2. Formaldeído

Faz desinfecção em 30 minutos com atividade bactericida, viruscida e tuberculicida. Em concentrações inferiores a 4%, independente o tempo de contato, não faz esterilização. 

5. Instrumentos no Consultório

A escolha do procedimento de esterilização ou desinfecção deve ser baseada no instrumento a ser descontaminado19:

Material Crítico

Instrumentos que penetram tecido ou tocam osso. Devem ser esterilizados. Exemplo: fórceps, sonda periodontal, bisturi e outros.

Materiais Semi-Críticos

Tocam membranas mucosas mas não penetram tecido ou tocam osso. Devem ser esterilizados, se não forem danificados pelo calor. O sendo, escolhe-se a desinfeccção de alto nível. Exemplo: condensadores, espelho, porta-matriz e etc.

Material não Crítico

Instrumentos e superfícies que tocam somente pele intacta. A desinfecção pode ser de nível baixo ou intermediário, neste caso a escolha dependerá da contaminação com sangue. Exemplos: Óculos, pisos e cadeira.

Cuidados com Peças de Mão, Pontas Ultra-sônicas e Unidades Odontológicas

Estes itens são considerados semi-críticos sendo recomendavel a sua esterilização como rotina após utilização individual. Para peças de mão que não podem ser esterilizadas são recomendados os seguintes procedimentos de limpeza e desinfecção20:

1.          Esfregue as peças externamente com sabão ou detergente

2.          Borrife a peça de mão com um desinfetante de nível hospitalar. Exemplo: Iodóforo.

3.          Enrole a peça de mão com material plástico impermeável saturado com o desinfetante durante o intervalo especificado pelo fabricante.

4.          Em seguida o plástico deve ser removido e as peças enxaguadas e secadas para a remoção do excesso de desinfetante, que poderia irritar a pele e mucosa do paciente. 

5.          Como cuidado extra, recomenda-se envolver as canetas de alta e baixa rotação, seringa tríplice, e o cabo de aparelho de proflaxia com folha de pvc e estas coberturas devem ser tratadas a cada paciente

Equipos dentários que possuem válvulas de retração aspiram para o interior da tubulação de água cerca de 0,9ml de uma mistura de detritos dentários, saliva e água contaminada por microorganismos cada vez que o pedal é desacionado. Para evitar este incidente, recomenda-se após cada paciente colocar a peça de mão e outros componentes que são conectados à tubulação de água em movimento por no mínimo 30 segundos, no interior de uma pia ou cuspideira para eliminar o líquido as pirado. Isto deve ser realizado também no início do dia para reduzir onúmero de bactérias acumuladas na tubulação de um dia para o outro20

Para superfíies que não podem ser descontaminadas facilmente, indica-se o uso de coberturas descartáveis, principalmente para alças de foco de luz, interruptores e tubo de raio X.

A cobertura deve ser de material impermeável e descartada após atendimento de cada paciente, podendo ser usadas folhas de alumínio, capas plásticas e filmes plásticos de pvc. O uso adequado destas coberturas segue os seguintes passos:

1.          Colocação da cobertura com luvas.

2.          Após o uso remoção da cobertura utilizada com luvas grossas de borracha.

Colocação de nova cobertura limpa.

Materiais de Impressão

Apesar de muitas pesquisas serem direcionadas ao efeito dos desinfetantes sobre materiais de impressão, muitas questões ainda são controvertidas.

Comumente essa desinfecção é realizada pela imersão em substâncias desinfetantes ou utilização destes mesmos produtos na forma de spray. Antes da desinfecção as impressões devem ser lavadas para remover depósitos de placa saliva ou sangue.

Polissulfetos e siliconas

São hidrofóbicos e suportam a imersão sem ter a fidelidade dos detalhes afetada, podendo ser imersa em iodóforos, compostos clorados, glutaraldeído a 2% ou compostos fenóliocos por no mínimo 10 minutos e depois então lavados e vazados.

Poliéter

Estas impressões podem ser adversamente afetadas pelo processo de desinfecção. Recomenda-se o uso de spray, de preferência um composto clorado por no máximo 10 minutos. Após a aplicação do spray, a moldagem deve ser selada dentro de uma embalagem impermeável.

Hidrocolóides (reversíveis e irreversíveis)

Ainda não se chegou a nenhum consenso, pois estas impressões são hidrofílicas como o poliéter e sofrem embebição. O spray neste caso é preferível à imersão. Os iodóforos são os agentes de escolha para este caso, sendo utilizado o mesmo procedimento descrito para poliéter. Em estudos promovidos com este material alguns autores sugerem a imersão da moldagem em solução de Cidex (Johnson) ou Virex (Johnson) por 10 minutos. Alteração dimensional significativa não seria constatada21.

Gesso

Os modelos de gesso geram controvérsias, sendo de consciencia geral que deve se dar  preferncia a desinfecção da impressão. Os desinfetantes que já foram utilizados para o gesso mostraram alterações dimensionais e diminuição de resistência à compressão, com excessão do hipoclorito de sódio

Próteses fixas contendo metais e porcelanas

Devem ser desinfetadas pela técnica de imersão em glutaraldeído ou iodóforos por 30 minutos. Nas próteses contendo resina ou porcelana ou metal e resina, é indicada a utilização de iodóforos por 30 minutos.

6. Avaliação da compreensão de Controle de Infecção

1. O principal objetivo no controle de infecção é o de minimizar ou eliminar a transferência de microorganismos patogênicos.
V ( ) F ( )

2. O termo "precauções universais de controle de infecção" significa que, o sangue e saliva de qualquer paciente deve ser considerado como infectado.
V ( ) F ( )

3. Muitos indivíduos que são portadores do vírus HBV não sabem que estão infectados.
V ( ) F ( )

4. Na manhã, antes de começar o atendimento, as mão devem ser lavadas duas vezes por 15 segundos cada. .
V ( ) F ( )

5. Luvas estéreis devem ser utilizadas para todos os procedimentos odontológicos.
V ( ) F ( )

6. O microorganismos da mão do profissional mais prováveis de ser causa de infecção em pacientes são:
a) indígena b)permanente ou c) transitórios.

7. O histórico médico é um mecanismo adequado para identificar indivíduos que têm uma doença infecto-contagiosa.
V ( ) F ( )

8. O histórico médico é o primeiro passo no processo de controle de infecção.
V ( ) F ( )

9. Lavar as luvas entre o atendimento de pacientes é um procedimento aceitável.
V ( ) F ( )

10. Indivíduos variam quanto a susceptibilidade de serem infectados para cada agente infectante.
V ( ) F ( )

11. O contato com sangue é o único meio de transmissão do HIV em casos de doença ocupacional.
V ( ) F ( )

12. O vírus da hepatite B é atualmente o de maior risco de infecção para a equipe odontológica.
V ( ) F ( )

13. Máscaras devem ser usadas apenas quando o paciente é capaz de contaminar o profissional.
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14. As mão devem ser lavadas após o uso de luvas.
V ( ) F ( )

15. A ADA recomenda que a equipe odontológica seja imunizada para hepatite B.
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16. As máscaras devem ser trocadas a cada paciente.
V ( ) F ( )

17. Não existe nenhum efeito colateral associado à imunização para hepatite B.
V ( ) F ( )

18. Pela manhã, instrumentos que permaneceram em soluções esterelizantes, devem ser lavados por três minutos antecedendo seu uso.
V ( ) F ( )

19. Quando passando instrumentos afiados, a técnica correta é a de passar o instrumento sem que a face ativa esteja apontada para o dentista ou seu auxiliar.
V ( ) F ( )

20. O uso do dique de borracha tem pouco valor no que diz respeito ao controle de infecção.
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21. Equipamentos de proteção individual devem ser utilizado durante a limpeza, após a saída do paciente.
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22. Os recipientes de coleta de flúidos não neccesitam ser esterilizados haja vista que não entram em contato com o paciente.
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23. Turbinas devem ser esterilizadas (ou desinfectadas se não for possível a esterilização) entre pacientes.
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24. O termo desinfectante é utilizado para o agente que elimina todas as formas de microorganismos.
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25. Um agente químico para níveis intermediários de desinfecção no consultório deve ser registrado pelo governo e ser tuberculocida.
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26. Um agente químico utilizado para níveis máximos de desinfecção deve ser registrado como esterilizante/desinfetante.
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27. A efetividade da autoclave deve ser avaliada por monitoramento biológico mensalmente.
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28. Não existe procedimento de monitoramento biológico para soluções esterilizantes.
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29. Esterilização por meios líquidos é o método de escolha preferido.
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30. Por causa do poder bactericida e virucida dos métodos esterilizantes e desinfectantes, os instrumentos não precisam ser lavados antes de serem esterilizados.
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31. Indicadores de processos podem ser utilizados no lugar do monitoramento biológico
V ( ) F ( )

32. Qual dos seguintes agentes químicos pode ser utilizado para esterilização por imersão:
a)glutaraldeido b) iodoforo c) água sanitária.

33. Em geral, esterilização por calor seco requer temperaturas mais altas do que a esterilização com vapor.
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34. Quando o gás etileno é utilizado após a esterilização, 24 horas são necessárias para que o gás dissipe de instrumentos porosos.
V ( ) F ( )

Para cada uma das seguintes escolha entre
a)esterilização b) desinfecção e c) lavar

35. Instrumentos críticos ( )

36. Instrumentos semi-críticos ( )

37. Instrumentos não críticos ( )

38. Pele, paredes e chão ( )

39. Proteger superfícies passíveis de contaminação ou apenas desinfetá-las após o atendimento de cada paciente é uma questão de preferência pesoal.
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40. Esterilização é o método que mata todas as formas de microorganismos e algumas formas de esporos.
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41. Dentaduras totais podem ser desinfectadas em casa pelo paciente com água sanitária.
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42. De uma maneira geral é importante desinfetar próteses antes de mandá-las para o laboratório.
V ( ) F ( )

7. Referencias Bibliográficas

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Respostas para as questões do teste avaliativo:

1 V
2 V
3 V
4 V
5 F
6 C
7 F
8 V
9 F
10 V
11 V
12 V
13 F
14 V
15 V
16 V
17 V
18 V
19 V
20 F
21 V
22 F
23 V
24 F
25 V
26 V
27 V
28 V
29 F
30 F
31 V
32 A
33 V
34 V
35 A
36 A
37 B
38 B
39 V
40 F
41 F
42 F




Data de Publicação do Artigo:

11 de Março de 2002





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