Considerações periodontais de acordo com os materiais e procedimentos restauradores Auxiliar
Adriana da Rosa Moreira - Monitora da Disciplina de Odontologia Preventiva da UFPB
- Especialista em Dentística Restuaradora - EAP-PB Robinsom Viégas Montenegro ( rudman@zaz.com.br ) - Professor do Curso de Especialização de Dentística Restauradora da EAP-PB
Neste trabalho temos a intenção de apresentar a importância de se restaurar a morfologia dental corretamente, a compatibilidade dos diversos materiais restauradores, bem como outros procedimentos, que igualmente agridem ao periodonto, quando usados de forma inadequada como: restaurações temporárias, separação dos dentes, dique de borracha, retração gengival, moldagem e instrumentação de cavidades.
Considerações Periodontais de Acordo com os Materiais e Procedimentos Restauradores
INTRODUÇÃO
O
sucesso inicial a longo prazo do tratamento odontológico restaurador depende
de considerações periodontais e oclusais. Para tanto deve-se executar um cuidadoso
planejamento de tratamento, com o uso de materiais e métodos adequados para
assim poder minimizar as possíveis complicações periodontais.
Para
ser biologicamente aceitável, uma restauração deve ser compatível não só com
o complexo dentina-polpa, mas também devolver a função e as características
estéticas dos dentes, não ser irritante e deve permitir um bom controle de
placa , de modo que contribua para a manutenção da saúde periodontal.
A
existência de grande variedade de materiais restauradores, com características
físico-químicas diferentes, cria uma preocupação quanto a capacidade de acúmulo
de placa relacionado às suas superfícies O fato de existir um material com
capacidade inibitória sobre a placa dentária seria de grande valia na busca
de saúde gengival, pois existe uma correlação positiva entre o acúmulo de
placa dentária e gengivite. Entretanto ainda não existe um material que iniba
a formação da placa bacteriana, por este motivo o Cirurgião-dentista deve
estar a par dos diversos materiais existentes para desta forma poder indicar
o melhor material para cada caso.
Fatores
Irritantes para o Periodonto
1
- Cárie
As
gengivas reagem à cárie em estágio anterior a descalcificação do esmalte superficial,
primariamente devido ao enrugamento do esmalte ou à predisposição da dentina
ao aumento doa acúmulo de placa. Obviamente, a inflamação aumenta com a maior
cavitação da estrutura dental. A reação periodontal será mais severa com perda
cariogênica do contato e contorno fisiológico dos dentes. Quanto mais próxima
do periodonto estiver a lesão cariosa e maior retenção oferecer a placa, mais
destrutiva será a reação dos tecidos periodontais.(8,10)
2
- Separação dos dentes
Embora
seja necessária, as vezes, para o procedimento restaurador, a separação dos
dentes não deve exceder a largura do espaço do ligamento periodontal (0,2-0,5mm).
Se a separação exceder esta medida, o ligamento periodontal será comprimido
de um lado e estirado no outro, e se esta separação for prolongada pode causar
isquemia irreversível. Mesmo sob circunstâncias favoráveis, a separação além
das obtidas com cunhas de madeira e plástico não deve ser usada.(10)
3
- Dique de borracha
Garante
a proteção da instrumentação dos elementos químicos na gengiva e nos tecidos
periodontais subjacentes, quando ele é aplicado propriamente. No entanto,
pode facilmente ser prejudicial para estes tecidos se:
Existe
borracha interseptal insuficiente, causando isquemia por compressão da gengiva
e das papilas vestibulares e linguais, ou a separação da gengiva interdental
do dente adjacente.
Os
grampos são incorretamente escolhidos e/ou aplicados, traumatizando a gengiva
já inflamada.
Fio
ou fita dental usados para assentar o borracha interseptal é empurrado com
força prejudicial contra os tecidos periodontais; ou se o fio dental é usado
como ligadura, estrangulando ou macerando a gengiva ao redor do dente.(1,10,14)
4 - Instrumentação das cavidades
Durante a preparação dental propriamente dita, deve se considerar os seguintes
itens, em um espaço para evitar os defeitos prejudiciais dos tecidos
periodontais:
De
todos os fatores prejudiciais resultantes da preparação dental, a vibração
é o mais importante para o periodonto. A vibração pode levar a laceração das
fibras do ligamento periodontal, pode criar dilaceração ou cessação da formação
radicular no dente em desenvolvimento ou causar compressão e isquemia das
fibras de ligamento em seus vasos sanguíneos.
A
preparação das margens gengivais é obtida mais atraumaticamente, com a utilização
dos instrumentos cortantes manuais. O uso de instrumentos giratórios, nessa
área, resultará em laceração e contusão do tecido com cicatrização por intenção
secundária.
A
lesão dos tecidos gengivais adjacentes poderá ser evitada se houver preservação
da lâmina proximal de esmalte durante a preparação cavitária.
Antes
de preparar a porção proximal de qualquer dente, deve-se colocar uma cunha
apical à área de contato, assegurando a proteção do periodonto adjacente contra
o trauma mecânico e físico da instrumentação.(1,10,14)
5
- Utilização da fita matriz e cunha
As
matrizes para qualquer material restaurador, devem ser firmes inflexíveis
e biologicamente aceitáveis. Para isto as matrizes devem apresentar:
Contornos
mésio-distal e buco-lingual adequados para reproduzir a forma do dente.
Ter
contorno ocluso-gengival próprio, de modo que a extremidade gengival não exceda
a extensão apical da fenda gengival.
Ser
adequadamente estabilizada para evitar deslizamento apical e lateral, que
poderia causar laceração e contusão da gengiva e dos tecidos periodontais
subjacentes.
A
cunha deve ser recortada com o auxilio de um bisturi de forma a se adaptar
da melhor forma na área interproximal, para assim, evitar um subcontorno da
restauração e o esmagamento da papila. (5,10)
6
- Retração gengival
Existem
vários métodos (químico e físicos) de se realizar a retração gengival e são
apenas para a retração de gengivas saudáveis. Estes métodos não são para a
remoção, deslocamento ou contração de tecidos gengivais inflamados e
edemasiados.
Os métodos para a retração gengival são:
Cirurgia
- A ressecção cirúrgica da gengiva é um método físico sendo um dos mais utilizados
para se providenciar acesso à margem do preparo. Sob anestesia local, a gengiva
é excisada apicalmente à margem do preparo com bisturi periodontal ou com
uma lâmina Bard-Parker no 11. O sangramento é controlado com pressão de um
chumaço de algodão, umedecido com epinefrina, se necessário. A gengiva se
regenera e volta à sua posição normal, desde que seja saudável no momento
que o preparo foi iniciado. Se a gengiva estiver doente quando o dente for
preparado, a recessão as gengiva ou a remoção inadvertida da placa e de cálculos
resulta em contração da parede da bolsa, leva a exposição da superfície radicular
além da margem do preparo. A recessão é algumas vezes erroneamente atribuída
à cirurgia.
Eletrocirurgia
- A gengiva pode também ser retraída por eletrocirurgia, que assim como a
cirurgia é um método físico. Isto evita o problema do sangramento. A eletrocirurgia
pode ser usada para retração gengival em algumas situações em que o acesso
as margens é necessário. Ela deve ser executada de modo que minimize os danos
teciduais, e a corrente deve ser adaptada à eletrossecção, em vez de à coagulação.
Vários estudos mostraram que o uso cuidadoso de eletrocirurgia na parte superficial
do sulco gengival resulta em poucos, se houver, danos residuais à gengiva.
Em pacientes com uma fina cobertura de gengiva e de osso alveolar sobre a
raiz, a eletrocirurgia não deve ser usada, já que ela levaria à perda de tecido
internos ou da superfície do sulco. Nestes pacientes a gengiva deve ser retraída
com fios de retração.
Fios
de retração - Fios impregnados com agentes químicos, os quais podem ser dos
seguintes tipos: os que utilizam vasoconstrictores ( 8% de epinefrina racêmica),
que causam uma rápida e transiente elevação da pressão sanguínea e na concentração
de glicose sanguínea e são contra-indicados em paciente com doenças coronárias,
hipertireoidismo ou diabetes. Também são usados corrosivos (8% de cloreto
de zinco, 10% de ácido tânico e 10% de ácido tricloroacético) e adstringentes
( 14% de sulfato de alumínio). Os fios impregnados com estes agentes causam
o murchamento da gengiva, afastando-a do dente e expondo a margem do preparo.
O uso de fios de retração pode resultar em dilaceração e inflamação, se os
fios estiverem secos. O revestimento epitelial do sulco gengival adere ao
fio seco e é dilacerado quando o fio é removido antes de se fazer a moldagem.
É aconselhável umedecer os fios de re
Os
métodos de retração física em geral não são responsáveis pela destruição dos
tecidos, a menos que os itens de retração sejam forçados para além da extensão
apical da fenda gengival ou se eles envolvem tecido gengival estrangulado
contra superfície dental. Em ambos os casos, pode ocorrer laceração e contusão
gengival, que podem ser seguidas por reabsorção gengival e /ou do osso alveolar.(10)
7
- Procedimento de impressão
Ao
se fabricar restaurações moldadas o periodonto pode ser afetado pelos procedimentos
e materiais de impressão. Alguns exemplos incluem:
Calor
das dispersões hidrocoloidais e dos materiais de impressão polimerizáveis
exotérmicos.
Catalisadores e subprodutos químicos dos materiais de impressão elástoméricos
de base de borracha que causem reações alérgicas.
Traumas
mecânicos causado pela inserção e remoção repetidas dos compostos de impressão.
Uso
de pressão excessiva ao se proceder uma moldagem com um material borrachóide
pode induzir ao trauma e resultar em perda de inserção(10)
8
- Restaurações Temporárias
Frequentemente
são causas de inflamação periodontal e recesso gengival. Todas restaurações
temporárias devem ser construídas de modo que minimizem os danos às gengivas
durante o tempo em que estiverem na boca. É importante que a integridade marginal
das restaurações temporárias seja a melhor tecnicamente possível, e as superfícies
dessas restaurações devem ser altamente polidas, de modo que minimize o acumulo
de placa sobre elas. O contorno destas restaurações também devem ser compatível
com os tecidos gengivais. Se uma restauração temporária for permanecer na
boca por mais do que uns poucos dias, os requisitos de contorno, polimento
e adaptação devem ser os mesmos das restaurações finais. As restaurações temporárias
devem também manter um relacionamento de contato interproximal e oclusal estável;
de outra maneira os dentes podem se mover, e pode ser difícil forçar estes
dentes de v
9
- Desenho das Restaurações
9.1
- Superfície oclusal
É
necessário que a restauração tenha forma oclusal que:
Direcione
as forças funcionais paralelamente ao eixo longitudinal do dente.
Permite
a máxima liberdade em todos os movimentos da mandíbula.
Proporcione
eficiência mastigatória máxima.
Faça deflexão do fluxo alimentar para longe das áreas de contato, pelo tamanho,
forma e proporção próprios da crista marginais.
Proteja o periodonto de carga lateral, através de mecanismo de desoclusão
adequados.
Restabeleça
as dimensões mésio-distal e cérvico-oclusal correntes corretas do dente para
evitar a inclinação ou sobre-erupção não só do dente restaurado, mas também
dos adjacentes ou opostos.(03)
9.2
- Contorno das restaurações
Afirma-se
frequentemente que o contorno vestíbulo-lingual, proeminente nas coroas dos
dentes, é de importância essencial na proteção da gengiva contra o esmagamento
e o trauma dos alimentos duros, e na prevenção da intrusão dos alimentos dentro
do sulco gengival. Não existe evidências científicas que valide esta afirmativa,
e está se tornando evidente que a principal causa da doença periodontal seja
a placa sobre os dentes e restaurações. Com o controle adequado de placa,
os tecidos gengivais podem ser saudáveis com ou sem contorno proeminente dos
dentes. Entretanto, quando a gengiva contata uma superfície plana existe uma
tendência de desenvolver uma margem gengival espessa, igualmente compatível
com a saúde gengival, enquanto uma margem gengival fina pode apenas ser mantida
como contorno dentário normal. O sobrecontorno das restaurações ou a disposição
prejudicial do contorno é um
Em
pacientes cuja doença periodontal levou a margem gengival mais apicalmente
do que o normal em casos saudáveis, os contornos vestibular e lingual tornam-se
até mais significativos. Nesses casos, o bojo do contorno vestibular da coroa,
que normalmente seria subgengival, aparece supragengivalmente. Isto torna
a porção radicular exposta imediatamente apical ao bojo, menos acessível para
os procedimento de higiene oral, com o resultante acúmulo de placa e inflamação
gengival. Nestes casos é necessário recontornar as restaurações existentes
ou até mesmo as coroas naturais para facilitar a higiene oral. Este problema
é especialmente importante nas áreas vestibulares de furcas de molares superiores
e inferiores e nas áreas de furcas linguais dos molares inferiores.
Em
pacientes, em que os espaços interproximais de dentes anteriores não são preenchidos
por papila gengival, como se ver normalmente após a eliminação cirúrgica de
bolsa, existe uma tendência comum de se fazer coroas muito amplas mésiodistalmente
em direção à margem gengival, para se fechar espaços abertos. Isto produz
uma irritação gengival relacionada as margens interproximais
sobrecontornadas.
Um espaço interdental mais largo do que o normal não é uma deficiência
periodontal,
se as superfícies forem prontamente acessíveis para os procedimentos de higiene
oral. Portanto, é melhor limpar restaurações sub do que sobrecontornadas.(03,14)
9.3
- Margem gengival
Os
estudos clínicos e histológicos indicaram que pode haver uma diferença nos
potenciais de retenção de placa relacionados a diferenças nos potenciais de
retenção de placa relacionado a diferenças químicas dos materiais, e a composição
bacteriana da placa pode ser influenciado pelo material. Parece que, por exemplo,
há mais acumulo de placa sobre o ouro do que na superfície dentária sob condições
similares, mas a resposta gengival permanece a mesma, se a restauração não
se estender subgengivalmente. As restaurações quando estendidas subgengivalmente
mostram mais inflamação do que aquelas que terminam na margem gengival, embora
as contagens de placa tenham sido semelhantes.
Embora as margens subgengivais sejam danosas periodontalmente, existem algumas
razões para se colocar restaurações subgengivais, como: extensão subgengival
de cáries, restaurações prévias e fraturas dentais; aparência estética; e
retenção e prevenção de fratura.
Quando
o preparo tem que ser estendido subgengivalmente, devido a cáries ou restaurações
prévias, esta extensão deve ser limitada ao mínimo ditado pelas condições.
O aumento na gengivite, na profundidade da bolsa e na perda de inserção ocorre
com freqüência nas margens subgengivais, enquanto que isto não ocorre nas
margens supragengivais bem adaptadas.
Quanto
a aparência estética, se a junção entre a restauração e o dente forem visíveis,
especialmente se a junção entre a restauração e o dente forem visíveis durante
a função labial normal, deve-se estender a margem gengival apenas 0,5 a 0,1mm
dentro do sulco gengival, e parar no mínimo 0,5 longe da inserção tecidual
conjuntiva medida por uma sonda periodontal.
A
terceira razão para se estender subgengivalmente as margens, relacionada à
retenção, pode ser normalmente resolvida pela inclusão de pinos sem Ter que
estender as margens. Se a coroa de um dente se perdeu e o dente tiver o canal
tratado, pode ser necessária colocar uma banda de metal suporte ao redor do
colo do dente, para evitar futuras fraturas.
Na
odontologia restauradora, incluindo próteses fixas, para pacientes com avançada
perda de suporte periodontal, as margens devem ser colocadas 2 a 3mm longe
da margem gengival livre e terminar em esmalte sempre que possível. (03)
9.4
- Contatos Interproximais
Os
contatos abertos sem impactação alimentar não tem significado periodontal,
e eles não devem ser fechados com restaurações ou aparelhos ortodônticos,
se a oclusão for estável e os dentes estiverem intactos. Nenhum estudo experimental
avaliou o significado periodontal da distância vestibulo-lingual das áreas
de contato, mas a impressão clínica prevalente é que o aspecto mais significativo
do contato interproximal é a capacidade de prevenir tanto a impactação alimentar
vertical como horizontal, que não necessáriamente se relaciona à largura do
contato, a qual aumenta consideravelmente com a idade e com o deslocamento
mesial fisiológico dos dentes subsequentes ao desgaste interproximal. Isto
não acarreta um problema periodontal exceto em casos que o desgaste oclusal
concomitante desgastou, além do normal, as áreas de contato. (03,14)
10
- Acabamento e Polimento
Acabamento
superficial da restauração está diretamente relacionado com a sua capacidade
de reter a placa. Nesse ponto não existe material restaurador disponível que
possa duplicar a vitrificação da superfície do esmalte dental. Deve-se ter
em mente, contudo que a irritação gengival próxima às superfícies ásperas
é uma função mais bacteriana que mecânica. Os tecidos moles podem ajustar-se
igualmente bem às superfícies ásperas não polidas e às altamente polidas,
quando o acúmulo da placa é escrupulosamente controlado.
A
porosidade é uma propriedade inerente dos materiais aglomerados como o amalgama
e as resina compostas. Embora não seja um irritante direto para o
periodonto,
a porosidade contribui indiretamente para a inflamação por causa da retenção
da placa e de seus subprodutos metabólicos.
Infelizmente,
o polimento das superfícies de amálgama subgengival é normalmente negligenciado
e, desta forma, torna o controle de placa subgengival difícil, mesmo usando
fio dental. Idealmente o acabamento superficial e a adaptação marginal da
restauração devem ser checados. As margens interproximais sempre devem ser
testadas com fio dental e polidas a tal ponto que não interfiram na passagem
do fio. (03,10,14)
Avaliação
Periodontal dos Materiais Restauradores
Nenhuma
restauração ou material restaurador pode imitar a compatibilidade da estrutura
dental intacta com o periodonto. As qualidades irritantes inerentes dos materiais
restauradores, unidas aos defeitos introduzidos iatrogenicamente na restauração
final, podem predispor e/ou participar ativamente do dano periodontal.
11
- Amálgama
Dos
materiais restauradores diretos o amálgama de cobre é um dos materiais de
maior biocompatibilidade periodontal, desde que sejam bem acabados e polidos,
devendo ser preferido quando for executada uma restauração direta
subgengival.
shay et al; e Hyyppa, PAUNIO (14) sugeriram que o amálgama de cobre inibe
a formação de placa bacteriana, porém HEYS et al (7) não confimaram esta hipótese,
quando observaram um acúmulo de placa sobre este material, igualmente ao amálgama
de prata. Deve-se entretanto observar alguns efeitos negativos como:
A aspereza superficial, em especial subgengivalmente, onde um polimento biocompatível
é impossível.
As discrepâncias marginais, em geral não detectáveis clinicamente, tornam-se
mais pronunciadas por causa da perda brilho (polimento), corrosão e
micromovimentos.
A
adaptação marginal, embora em geral melhore com o tempo, pode ser afetada
adversamente por corrosão, micromovimentos, fadiga e desadaptação da cavidade.
Irritação
química, provocado pela corrosão do material.(10)
12
- Resinas Compostas
Com
relação aos diferentes fatores que afetam o periodonto, esses materiais são
desfavoráveis, exceto em um aspecto: seu potencial elétrico que é quase nulo,
sendo este um bom aspecto já que os potenciais elétricos entre as restaurações
de metais não semelhantes podem criar degeneração atrófica na gengiva adjacente
ou encoraja uma recessão gengival.
Nenhum desses materiais mantém permanentemente a forma sobre as formas oclusais
e abrasivas.
Todos
esses materiais mostraram aspereza superficial, mesmo depois de um polimento
meticuloso, principalmente as resinas de macropartículas. As híbridas e principalmente
as de microparticulas apresentaram-se bem menos ásperas que as
macropartículas.
As
discrepâncias marginais aumenta com o tempo em todos estes materiais.
A técnica do condicionamento ácido é prejudicial não só do ponto de vista
do efeito direto do ácido sobre o periodonto, pois o esmalte condicionado
com ácido não restaurado serve para reter mais prontamente a placa bacteriana.(10,15,16)
13
- Óxido de Zinco e Eugenol
A
despeito dos efeitos anti-sépticos e sedativos favoráveis desse material,
sua alta solubilidade nos ácidos orais causa a aspereza da superfície e as
inadequações marginais que aumenta o acúmulo da placa. Além disso, quando
este material é usado como provisório, ele tende a fluir, com o tempo, causando
eventual invasão nos tecidos periodontais adjacentes. Apesar disso a não existência
de potencial elétrico é a maior vantagem desse material para o periodonto.3
14
- Cimento Fosfato de Zinco
Este
material também apresenta potencial elétrico inerte, mas essa é a única vantagem
biológica para o periodonto. A aspereza da superfície e as inadequações marginais
desse material são fatores prejudiciais primários e são aumentados pela erosão
contínua do cimento pelos líquidos ácidos de fenda. O prejuízo químico no
periodonto ocorre a partir do ácido fosfórico contido no cimento. O trauma
mecânico deste cimento pode ocorrer quando se força o material gengivalmente
durante o processo de cimentação e na remoção do excesso marginal depois da
presa do material. O último trauma para o periodonto pode ocorrer quando se
deixa, inadvertidamente cimento endurecido ligado ou não no sulco gengival.(10)
15
- Cimento Policarboxilato
Sendo muito semelhante ao cimento fosfato de zinco em seus efeitos biológicos
sobre o periodonto, a solubilidade deste material é ainda maior nos líquidos
orais. A irritação química é devido ao ácido poliacrílico.(10)
16
- Cimento de Ionômero de Vidro
Os tecidos moles da cavidade bucal demonstram elevado nível de tolerância
a presença do cimento de ionômero de vidro.(9) O cimento de ionômero de vidro
tem sido descrito como inibidor de placa bacteriana devido apresentar uma
comprovada liberação de flúor. Entretanto em um estudo executado por NASSAR
et al (12) não apresentou efeito inibidor sobre a placa bacteriana. Os Ionômeros
Convencionais quando comparados aos Modificados com Monômeros Resinos apresentam
segundo os fabricantes melhor polimento superficial, portanto ao ser utilizado
próximo as margens gengivais devem ser preferidos os Ionômeros modificados
devido sua capacidade de maior lisura de superfície promovendo desta forma
um menor acúmulo de placa bacteriana.
17
- Compômero
Devido este material ser constituído na maior parte por compósitos e em menor
proporção por cimentos de ionômero de vidro, estes materiais possuem todas
as desvantagens das resinas, porém minimizadas pela composição do ionômero
de vidro, sendo melhor que este, pela maior capacidade de polimento
superfícial,
de acordo com especificações do fabricante. Além disto mantém este polimento
por mais tempo em comparação com os cimentos fotoativados.(6)
16
- Restaurações Diretas de Ouro
Na
boca que não tem outro metal e que apresenta boa higiene oral, a gengiva ao
redor de uma restauração direta de ouro, propriamente condensada e polida,
aparece muito saudável. Apesar das superfícies mais lisas acumularem menos
placa inicialmente, com o passar do tempo todas as superfícies acumulam placa.
Portanto, a lisura superficial não é suficiente para prevenir a formação de
placa.(10)
17
- Restaurações de Porcelana Fundida (cerâmica)
A
porcelana vitrificada de alta e baixa fusão exibe superfícies com menor quantidade
de aspereza e irregularidades de todos os materiais restauradores. Por isso
apesar do trauma da preparação, da impressão e das linhas de cimento comuns
as restaurações moldadas, esse tipo de material restaurador é o mais aceitável
biologicamente para o periodonto.(10)
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Data de Publicação do Artigo:11 de Maio de 2006
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